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Carta 1

The Epistles of Jacob Boehme. Collections ONE and TWO. Transcribed by Wayne Kraus for Jacob Boehme Online. KRAUS HOUSE

A PRIMEIRA EPÍSTOLA. UMA CARTA TEOSÓFICA, OU CARTA DA SABEDORIA DIVINA, ONDE A VIDA DE UM VERDADEIRO CRISTÃO É DESCRITA, MOSTRANDO O QUE É UM CRISTÃO, E COMO ELE VEM A SER UM CRISTÃO; E DA MESMA FORMA O QUE É UM CRISTÃO TITULAR, NOMINAL OU HISTÓRICO, E COMO A FÉ E A VIDA DE CADA UM DIFEREM.

A fonte do coração de Jesus Cristo seja a consolação vivificante, a renovação e a vida eterna.

Deseja-se ao amigo amado e respeitado em Cristo a abertura da fonte de graça manifestada por Deus na humanidade através de Cristo Jesus, a fim de que o sol divino lance seus raios de amor na alma e desperte a fome magnética pelo corpo e sangue de Cristo.

  • Manifestação da graça divina na humanidade por Deus em Cristo Jesus.
  • Atuação dos raios de amor do sol divino na alma do destinatário.
  • Despertar da fome magnética da alma pela carne e pelo sangue de Cristo juntamente com o bem-estar corporal.

O desejo mútuo e a obrigação de membro motivam a escrita desta epístola de saudação e recreação espiritual na mesma fonte da vida de Jesus Cristo, a partir do conhecimento de que o destinatário possui uma busca sincera pela vida divina manifestada pelo Pai.

  • Relato de D. K. e observação presencial sobre a sede e o anseio sincero do destinatário pela vida do Pai.
  • Solicitação do Sr. D. e do próprio destinatário para a realização da visita por meio de carta.
  • Reconhecimento da obrigação mútua entre membros, comparada a ramos de uma árvore.
  • Alegria percebida pelo florescimento e frutificação do coral paradisíaco nos companheiros.

A definição de um verdadeiro cristão reside naquele que se tornou capaz de tal título ao resignar sua mente, vontade e íntimo à graça livre em Cristo Jesus, assemelhando-se a uma criança que anseia pelo leite materno.

  • Capacidade interna para receber o alto título de cristão.
  • Resignação do íntimo, da mente e da vontade à graça livre em Cristo Jesus.
  • Transformação da alma em uma criança pequena que suspira e suga o peito da mãe para viver.

O cristão é o homem cuja alma retorna à palavra eterna, que é a primeira mãe da vida humana manifestada como leite da salvação, gerando o novo homem espiritual e alcançando o lugar do amor divino onde o Pai gera o Filho.

  • Retorno da alma e da mente do homem à primeira mãe e origem da vida, a Palavra Eterna.
  • Manifestação da Palavra Eterna com o verdadeiro leite da salvação na humanidade cega para Deus.
  • Surgimento do novo homem espiritual a partir da amamentação da alma faminta.
  • Alcance do lugar do amor de Deus pela alma ígnea, escura e seca procedente da propriedade do Pai.
  • Geração do Filho amado pelo Pai no lugar do amor divino.
  • Habitação do templo do Espírito Santo no íntimo do ser.
  • Desfrute essencial da boca espiritual ou desejo crente da alma que come a carne e bebe o sangue de Cristo.

A condição de cristão exige que Cristo habite, viva e ressuscite no íntimo da alma na essência celestial desaparecida em Adão, revestindo o indivíduo com a vitória cristã que subjuga a vontade carnal e a serpente.

  • Habitação, vida e ser de Cristo no indivíduo.
  • Ressurgimento e vivificação de Cristo no íntimo da alma na essência celestial que desapareceu e partiu em Adão.
  • Revestimento com a vitória de Cristo, compreendendo a encarnação, humanidade, sofrimentos, morte e ressurreição contra a ira de Deus, o inferno, o diabo, a morte e o pecado.
  • Conquista da semente da mulher, que é Cristo, no íntimo do homem.
  • Pisada diária na cabeça da serpente na ímpia vontade carnal e destruição dos desejos pecaminosos da carne.

A adoção como filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo ocorre por meio de uma graça inata, regeneradora e habitante, e não por uma imputação externa ou merecimento histórico de justificação, conforme testificam os escritos apostólicos.

  • Recebimento como filhos de Deus e herdeiros com Cristo exclusivamente Nele.
  • Negação de uma aparência externa, adventícia ou estranha de apropriação de graça.
  • Rejeição de um mérito estranho de graça imputado de fora ou recebido por apreensão histórica de justificação como malfeitores.
  • Operação de uma graça filial, regeneradora, inata, habitante, fraternal e essencial.
  • Ressurreição de Cristo, o conquistador da morte, com sua essência de vida e poder a partir da morte humana.
  • Influência governante mútua de Cristo no homem, semelhante ao ramo na videira, conforme o testemunho dos Apóstolos.

Aquele que apenas busca conforto na paixão, morte e satisfação de Cristo como um indulto externo, mantendo-se como uma criatura selvagem e não regenerada, permanece distante do verdadeiro cristianismo.

  • Distanciamento do cristianismo por quem apenas se conforta com a paixão, morte e satisfação de Cristo.
  • Aplicação e imputação dos méritos como um perdão ou dom de favor por homens ímpios e mundanos.
  • Afirmação de que todo homem ímpio deseja ser salvo por um dom de favor.
  • Afirmação de que o diabo também desejaria de bom grado voltar a ser um anjo pela graça recebida de fora.

O cristão nominal rejeita a conversão, a atitude infantil e o novo nascimento pela água da graça e pelo Espírito Santo, preferindo cobrir-se com o manto da graça de Cristo sem ingressar na adoção filial necessária para ver o reino de Deus.

  • Rejeição do cristão titular em se converter, tornar-se criança e nascer de novo da água do amor da graça de Deus e do Espírito Santo.
  • Tentativa de colocar sobre si o manto da graça de Cristo e clamar as promessas por direito histórico.
  • Recusa em entrar na adoção e no novo nascimento.
  • Citação da afirmação de Cristo de que o homem não pode ver o reino de Deus de outra maneira.

A mentalidade carnal é caracterizada pela inimizade contra Deus e pela incapacidade de herdar o reino divino, cabendo apenas ao espírito da graça nascido de Deus ouvir a palavra divina.

  • Citação de João três: o que é nascido da carne é carne e não pode herdar o reino de Deus.
  • Constatação de que a mentalidade carnal é inimizade contra Deus, enquanto a mentalidade espiritual é vida e paz.
  • Afirmação de que apenas quem é nascido de Deus ouve a Palavra de Deus.
  • Atribuição da escuta da Palavra de Deus exclusivamente ao espírito da graça em Cristo.

A revelação da palavra e da vontade de Deus ocorre no íntimo dos seres por meio do Filho, o qual habita o seio do Pai, ainda que a carne pecaminosa externa muitas vezes impeça que a potência divina se manifeste no mundo visível.

  • Declaração de que nenhum homem jamais viu a Deus.
  • Atuação do Filho único, que está no seio incomensurável do Pai, em declarar a palavra e a vontade de Deus no íntimo humano.
  • Compreensão interna da vontade e do bom prazer de Deus com disposição para segui-los.
  • Impedimento provocado pela carne pecaminosa externa contra a manifestação da potência divina na figura exterior.
  • Direcionamento da potência divina para a figura interna no mundo espiritual interior.
  • Citação de São Paulo sobre a conversação dos santos estar nos céus.

Os santos e São Paulo lamentaram o conflito entre a vontade sincera do espírito que serve a Deus e a lei do pecado que atua na carne, a qual é diariamente mortificada na morte de Cristo naqueles em quem ocorre a ressurreição espiritual.

  • Queixa de todos os santos de Deus, especialmente de São Paulo, sobre a carne servir à lei do pecado apesar da vontade sincera da mente.
  • Conflito em que a carne cobiça contra o espírito.
  • Afogamento e mortificação diária da cobiça e do mau desejo na morte de Cristo pelo centro de luz regenerado na alma.
  • Restrição desse processo aos indivíduos nos quais Cristo ressuscitou dos mortos.
  • Citação bíblica sobre a ausência de condenação para os que estão em Cristo Jesus e não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.
  • Destinação do corpo bestial à terra e do corpo espiritual a Deus.
  • Declaração de que aquele que não possui o corpo espiritual está morto enquanto vive, não percebendo as coisas do Espírito de Deus, as quais lhe parecem loucura.

A compreensão da justificação e do perdão dos pecados é insuficiente quando ensinada apenas como um recebimento externo, pois a graça e a adoção consistem na transformação da alma pelo sangue de Cristo, restabelecendo a harmonia original.

  • Insuficiência do ensino focado apenas no recebimento exterior da graça e do perdão.
  • Fundamentação do perdão e da adoção filial no sangue justificador e na morte de Cristo.
  • Tintura do sangue celestial de Cristo sobre a alma humana.
  • Superação da ira de Deus na alma e no fundamento divino interno pelo nome de Jesus no supremo amor da Divindade.
  • Conversão da ira em humildade, mansidão e obediência divinas.
  • Retorno da propriedade humana dividida e rompida para a harmonia e unidade do paraíso.

A ira do Pai despertada nas propriedades da vida humana foi convertida em amor e unidade na morte de Cristo, resultando na morte da vontade egoísta e no renascimento da primeira vontade humana pelo sangue celestial.

  • Conversão da ira do Pai, que governava a alma e o corpo como filhos da ira, em amor unânime e unidade de Deus.
  • Morte da vontade humana egoísta na morte de Cristo.
  • Renascimento da primeira vontade humana, que Deus soprou de Seu Espírito em Adão, pela doçura divina no sangue celestial de Cristo.
  • Confundimento e escarnecimento do diabo e do inferno que mantinham os homens cativos.
  • Tipificação desse processo pela vara seca de Aarão que floresceu e deu amêndoas doces em uma noite.

A graça e a vitória em Cristo estenderam-se a todos os homens assim como o pecado, quebrando a morte na alma adâmica e abrindo a porta para que a alma retorne à regeneração, saciando-se na fonte divina.

  • Transmissão da graça doce e da vitória em Cristo de um para todos, de modo análogo à difusão do pecado.
  • Quebra da morte e da ira na alma adâmica em Cristo.
  • Abertura da possibilidade da graça através do portal desvelado da morte.
  • Retorno da vontade da alma à sua primeira mãe através do portal, alcançando a filiação e a regeneração.
  • Acesso ao sangue doce de Jesus Cristo que mudou a ira de Deus em amor na humanidade.
  • Dessedentação da alma cativa na fonte de Deus, docificando seu hálito de fogo.
  • Subscrição substancial e essencial da fome da alma no sangue de Cristo de maneira celestial, gerando o broto paradisíaco.

A transformação operada na pessoa de Cristo, onde a eternidade sobrepujou o tempo e sua vontade própria na humanidade assumida, exige que a alma receba essa mesma vontade eterna para que o fundamento paradisíaco morto em Adão floresça na obediência.

  • Necessidade de que o desvelamento da morte ocorra na própria pessoa de Cristo na alma e humanidade do indivíduo.
  • Conquista do tempo e da vontade temporal pela eternidade com a qual Cristo veio do céu e estava no céu, conforme João três.
  • Mudança do tempo e de sua vontade na vontade eterna da Divindade dentro da humanidade recebida.
  • Necessidade de que o desejo da alma receba a vontade eterna em Cristo onde tempo e eternidade harmonizam.
  • Imersão da alma na adoção da graça livre pelo poder da vontade eterna.
  • Florescimento do fundamento paradisíaco interno morto em Adão na vontade da obediência de Cristo, pelo Seu sangue celestial assumido.

A expiação e a reconciliação concluídas historicamente por Cristo devem se manifestar de forma experimental no íntimo do crente, com a infusão do sangue celestial que pacifica a ira divina e restaura a imagem primordial.

  • Necessidade de manifestação experimental e interna da expiação realizada outrora por Cristo.
  • Afirmação de que a reconciliação foi totalmente finalizada no sangue e na morte de Cristo.
  • Exigência de que a obra realizada em Cristo atue no indivíduo no presente pelo derramamento do Seu sangue.
  • Infusão do sangue celestial de Cristo no desejo de fé da alma pobre.
  • Tintura da ira de Deus contida na alma para que a primeira imagem adâmica reapareça com seus sentidos espirituais.

A verdadeira imagem paradisíaca que morreu em Adão não pertence aos quatro elementos deste mundo mundano, mas habita no céu e no elemento puro e santo que deu origem à criação, alimentando-se de Cristo.

  • Desaparecimento da imagem paradisíaca da essência do mundo celestial após a morte em Adão.
  • Ausência de habitação da imagem paradisíaca nos quatro elementos.
  • Localização da vida e essência dessa imagem no céu, manifestada em Cristo no ser humano.
  • Origem dos quatro elementos a partir do único elemento puro e santo no início dos tempos.
  • Alimentação do novo homem espiritual interno com a carne e o sangue de Cristo.
  • Condição do novo homem como ramo na videira que é Cristo.

Cada espírito alimenta-se da fonte de onde tirou sua origem, cabendo à alma animal e mortal o espírito deste mundo elemental, enquanto a alma eterna e divina nutre-se da Palavra essencial de Deus.

  • Nutrição da alma animal e mortal a partir do espírito deste mundo, das estrelas e dos elementos do reino mundano.
  • Definição da alma eterna como vida divina inspirada a partir da Palavra Eterna no homem.
  • Nutrição da alma eterna por sua mãe, a santa e essencial Word de Deus.

Diante da impossibilidade de a alma decaída alimentar-se da Palavra divina por conta própria, a Palavra de vida inseriu sua essência celestial na humanidade, permitindo que a alma cativa voltasse a receber o maná paradisíaco.

  • Impossibilidade da alma em seu estado excluído e separado comer da Palavra Divina e viver no elemento do amor.
  • Descida da Palavra de vida ao vale da miséria e à prisão do inferno em direção à alma abandonada.
  • Infusão da essência celestial na essência humana para servir de corpo para a alma.
  • Envolvimento e revestimento da alma cativa pela essência celestial.
  • Reabertura da boca celestial da alma, antes morta na ira de Deus, pela tintura do amor.
  • Consumo do maná celestial pela alma recuperada.
  • Experimentação desse consumo na pessoa de Cristo com a humanidade recebida no deserto durante os quarenta dias de provação de Adão em Cristo.

Nenhum homem se torna um verdadeiro cristão por meio de formalidades externas ou imputação forense de graça, visto que o perdão divino não opera como o indulto exterior concedido por um príncipe terreno a um malfeitor.

  • Negação de que uma forma aparente ou graça apropriada de fora gerem um cristão verdadeiro.
  • Ineficácia do perdão de pecados obtido apenas pelo pronunciamento de palavras ou apropriação de fórmulas de absolvição externas.
  • Comparação com o indulto externo de vida concedido por um lorde ou príncipe a um criminoso.
  • Declaração de que tais expedientes externos não possuem valor perante Deus.

A graça que conduz à adoção filial reside exclusivamente no sangue e na morte de Cristo, instituído por Deus como o único sacrifício aceitável para reconciliar a ira divina.

  • Exclusividade do sangue e da morte de Cristo como vias de graça para a adoção.
  • Preordenação e designação de Cristo por Deus como trono de graça ou propiciação em Seu próprio amor.
  • Infusão do doce nome de Jesus a partir de Jeová.
  • Reconhecimento de Cristo como o único sacrifício aceito por Deus para reconciliar Sua ira.

Para que o sacrifício da graça seja proveitoso, ele deve operar no íntimo do ser através da fé que apreende Cristo no fundamento da alma, iniciando a destruição das forças infernais e da ira.

  • Necessidade de operação interna do sacrifício e da oferta livre da graça.
  • Geração ou impressão do Filho pelo Pai no desejo de fé do indivíduo.
  • Apreensão e compreensão de Cristo pela fome da fé na Palavra prometida.
  • Revestimento de Cristo em todo o Seu processo de justificação no fundamento interno.
  • Início e progressão da mortificação da ira, do diabo, da morte e do inferno pelo poder da morte de Cristo no ser.

O homem por si mesmo é incapaz e está morto, cabendo a Cristo operar a ressurreição interna que subjuga a vontade própria e transforma o indivíduo em um instrumento da vontade divina.

  • Incapacidade do homem e sua condição de morto para si mesmo.
  • Atuação exclusiva de Cristo no íntimo do ser humano.
  • Morte do eu em relação ao homem verdadeiro quando Cristo surge.
  • Vivência dedicada a Cristo e não ao egoísmo.
  • Mortificação da vontade própria pela graça, que assume o senhorio no lugar do ego.
  • Transformação do homem em instrumento de Deus para cumprir Seu beneplácito.

O cristão habita simultaneamente em dois reinos: o paraíso espiritual com o espírito renascido e a vaidade do mundo exterior com o corpo mortal, recebendo o auxílio de Cristo para suportar o jugo do pecado carnal.

  • Coexistência em dois reinos pelo ser humano.
  • Habitação do espírito de vida renascido ou homem espiritual no paraíso, no reino dos céus e no mundo espiritual interno.
  • Permanência do homem mortal externo na vaidade do tempo, no reino deste mundo e no domínio das estrelas e elementos.
  • Presença do jugo do pecado na contrariedade e discórdia das propriedades externas.
  • Assunção do jugo por Cristo no reino interno do mundo divino para ajudar a alma a suportá-lo.

O jugo deste mundo constitui o fardo que Cristo carrega até a entrega final do reino ao Pai, cumprindo o papel profetizado de carregar as enfermidades e dores humanas na ira divina.

  • Definição do jugo deste mundo como o fardo de Cristo até a devolução do reino ao Pai.
  • Citação da frase sobre todo o poder no céu e na terra ter sido entregue a Cristo pelo Pai.
  • Imposição do fardo sobre Cristo para carregar a ira de Deus, o inferno, a morte e o mal nos homens.
  • Citação de Isaías sobre Ele ter tomado as enfermidades e carregado as dores humanas enquanto era estimado como ferido e afligido por Deus.

O nascimento de Cristo no homem desencadeia os ataques do inferno e da ira de Deus contra o homem externo pecaminoso, resultando em perseguições mundanas e na execução da justiça severa sobre a casa do pecado.

  • Necessidade de o cristão ser um portador da cruz.
  • Início dos ataques do inferno e da ira de Deus na natureza eterna assim que Cristo nasce no homem.
  • Destruição do inferno no homem e esmagamento da serpente.
  • Surgimento de inquietude, perseguição e opróbrio da parte do diabo e do mundo corrompido contra o homem externo pecaminoso.
  • Condenação e julgamento do homem externo pelos filhos da ira e pela severa justiça divina.
  • Diferenciação entre o homem interno que vivencia Cristo e o homem mortal externo.
  • Execução do julgamento da justiça divina sobre a casa do pecado com o auxílio dos ministros da ira.

Cristo atua no suporte ao jugo enquanto o homem é oferecido em sacrifício no processo de sofrimento, desprezo e morte cristãs, tornando-se conforme a imagem divina perante a justiça.

  • Auxílio de Cristo no suporte ao jugo humano.
  • Sacrifício do homem no processo, desprezo e escarnecimento de Cristo.
  • Entrega do homem em seu sofrimento e morte diante da justiça de Deus na ira.
  • Conformação do indivíduo à imagem de Cristo.

As escrituras ensinam a justificação da alma pela fé no sangue e na morte de Cristo, e não pelos méritos das obras, embora esse princípio seja compreendido por poucos que o pregam.

  • Testemunho das escrituras sagradas sobre a justificação dos pecados pela fé em Cristo e não por obras de mérito.
  • Atribuição da justificação ao sangue e à morte de Cristo.
  • Constatação de que o tema é ensinado por muitos, mas retamente compreendido por poucos pregadores.

A maior parte dos instrutores limita-se a uma fé histórica e imaginária que conforta o homem pecaminoso com o manto exterior de Cristo, sem compreender a verdadeira essência da fé e a exigência da mudança interior.

  • Ensino predominante focado em uma graça imputada superficialmente.
  • Ignorância e mudez da maioria sobre o que é a fé, como é gerada e qual sua substância real para alcançar o mérito de Cristo.
  • Dependência de uma fé histórica mencionada em Tiago dois, caracterizada como mero conhecimento ou conjetura literal.
  • Uso da imaginação e da falsa persuasão pelo homem do pecado para se lisonjear e se denominar cristão.
  • Inaptidão e indignidade do cristão nominal para portar o alto título, estando apenas vestido externamente com o manto de púrpura de Cristo.
  • Citação do profeta sobre o povo que se aproxima com os lábios mas mantém o coração distante de Deus.
  • Citação de Cristo sobre nem todos que dizem Senhor, Senhor entrarem no reino dos céus, mas sim aqueles que fazem a vontade do Pai celeste.

A aceitação da graça e a adoção filial realizam-se unicamente em Cristo, que representa a própria vontade do Pai, sendo impossível invocar a Deus como Senhor sem a presença do Espírito Santo.

  • Reconhecimento de Cristo como a única vontade do Pai em quem reside a adoção e a graça.
  • Impossibilidade de realizar a vontade de amor do Pai fora de Cristo, o único trono de graça.
  • Declaração da escritura sagrada de que nenhum homem pode chamar a Deus de Senhor sem o Espírito Santo no íntimo.

O homem é incapaz de alcançar a Deus por meio do próprio conhecimento ou busca intelectual, dependendo inteiramente da intercessão do Espírito Santo e da misericórdia divina.

  • Ignorância humana sobre o que e como rezar adequadamente diante de Deus.
  • Intercessão do Espírito Santo em Cristo com gemidos inexprimíveis no íntimo humano conforme o agrado de Deus.
  • Impossibilidade de alcançar as coisas divinas pelo saber, querer, correr ou buscar humanos devido ao profundo ocultamento de Deus.
  • Fundamentação do alcance espiritual exclusivamente na misericórdia de Deus.

A destruição dos pecados e a capacidade de crer dependem da ação de Cristo e de Seu Espírito na vontade resignada do homem, pois a misericórdia reside apenas Nele.

  • Ausência de misericórdia fora de Cristo.
  • Necessidade de que Cristo destrua os pecados no homem com Seu sangue, morte e vitória sobre o inferno.
  • Atribuição do ato de crer ao espírito, desejo e vontade de Cristo agindo na vontade humana, dada a incapacidade própria do homem.

Cristo acolhe a vontade humana resignada, integrando-a em Sua própria vontade vitoriosa e intercedendo pela alma diante de Deus como um filho da graça.

  • Recebimento da vontade humana resignada por Cristo.
  • Compreensão e integração da vontade humana na vontade de Cristo.
  • Condução da vontade humana a Deus através da vitória cristã.
  • Intercessão de Cristo pela vontade da alma em Sua própria vontade perante Deus.
  • Recebimento do indivíduo como filho da graça no Seu desejo de amor.

A manifestação do amor do Pai em Cristo atrai e reveste a vontade humana com o sangue celestial, transformando-a em uma imagem angelical dotada de vida divina.

  • Manifestação do amor do Pai em Cristo e manifestação desse amor na vontade humana resignada por meio de Cristo.
  • Atração da vontade humana para o íntimo de Cristo.
  • Revestimento da vontade com o sangue e a morte de Cristo.
  • Tintura da vontade com a suprema potência divina.
  • Transformação da vontade em uma imagem angelical com vida divina.

A nova vida divina gera na alma o conhecimento de sua própria miséria e o aprisionamento na ira de Deus, revelando sua deformidade diante dos ataques dos espíritos malignos.

  • Surgimento da fome da nova vida pelo seu corpo, que é a alma ígnea degenerada onde entrou a vontade em Cristo.
  • Tintura da alma pela nova vida em Cristo.
  • Obtenção de uma fome divina correta pela alma no espírito e propriedade da nova vontade.
  • Anseio e desejo da alma pela graça divina.
  • Autoexame da alma no espírito da vontade divina em Cristo sobre suas propriedades, inclinações e afastamento de Deus.
  • Reconhecimento das próprias abominações e da deformidade diante dos anjos de Deus.
  • Constatação de que a alma se encontra desprotegida nas mandíbulas da morte e do inferno.
  • Cerco de espíritos malignos que disparam influências de maus desejos para corromper a alma.

A alma alcança a iluminação e o arrependimento eficaz ao submergir no espírito da nova vontade e na humildade absoluta, experimentando o toque do espírito de Cristo.

  • Submersão da alma no novo espírito da vontade renascida e na humildade pura.
  • Apreensão da alma pelo espírito de Cristo, conduzindo-a ao espírito da nova vontade.
  • Sentimento experimental e essencial do espírito de Cristo pela alma.
  • Surgimento do vislumbre divino e do raio de alegria na alma como um novo olho.
  • Concepção do ser e da essência da luz divina no íntimo da alma escura e ígnea.
  • Fome, sede de graça e entrada em arrependimento eficaz e tristeza pelas maldades cometidas.

O consumo da carne e do sangue de Cristo substancializa o espírito da nova vontade por meio do desejo magnético da alma faminta.

  • Recebimento da carne e do sangue de Cristo no estado de fome e sede espirituais.
  • Tornada substancial e essencial do espírito da nova vontade através da impressão magnética, fome e desejo da alma.
  • Entrada inicial do espírito da nova vontade na graça de Cristo e acolhimento deste por Cristo.

A essencialidade gerada nesse processo é denominada Sophia, representando a sabedoria essencial ou corpo de Cristo, base onde repousa a verdadeira fé no Espírito Santo.

  • Definição da essencialidade como Sophia, a sabedoria essencial ou corpo de Cristo.
  • Constituição da fé no Espírito Santo dentro dessa essencialidade.
  • União de Cristo e da alma na fé dentro de um mesmo fundamento.

A fé verdadeira não consiste em pensamentos ou no assentimento histórico à morte de Cristo, mas na recepção efetiva da graça oferecida e na impressão de Sua essência celestial no íntimo.

  • Negação de que a verdadeira fé resida em pensamentos ou na concordância com a história.
  • Rejeição da mera imaginação mental de que Cristo morreu pelos pecados sem a presença da justiça inata e da vida divina atuando no ser.
  • Definição da fé como o recebimento da graça prometida em Cristo.
  • Entrada de Cristo no íntimo do ser pela fé.
  • Impressão de Cristo na fome da alma com Sua carne e sangue celestiais e com a graça oferecida por Deus.

Cristo alimenta a alma com a essência de Sophia, cumprindo a sentença de que a vida eterna depende da participação real em Sua carne e em Seu sangue.

  • Alimentação da alma com a essência de Sophia, isto é, com a carne e o sangue de Cristo.
  • Referência à sentença cristã: quem não come da carne do Filho do Homem não tem vida em si, mas quem a come permanece Nele.

A fé cristã e os testamentos baseiam-se nessa transformação essencial, pois uma fé puramente verbal assemelha-se a uma faísca sufocada pela fumaça que necessita de combustível real para brilhar.

  • Fundamentação dos testamentos de Cristo e da correta fé cristã na referida essencialidade.
  • Comparação da fe insubstancial, conjetural ou verbal a um fogo trêmulo abafado por fumaça ou umidade.
  • Desejo do fogo em queimar apesar da falta de um ser real para isso.
  • Crescimento da pequena faísca de fogo e surgimento de uma luz brilhante quando o combustível real é fornecido.
  • Manifestação do fogo e da luz clara que antes permaneciam ocultos e desconhecidos na madeira.

A alma aprisionada na vaidade assemelha-se a um pavio fumegante que se expande em uma grande luz de boas obras e paciência ao receber a essência do amor divino em Cristo.

  • Aplicação da metáfora ao filho de Deus cuja alma está envolta na ira divina.
  • Semelhança da alma a um pavio que fumega devido à vaidade dos pecados e à ira de Deus, desejando queimar sem conseguir.
  • Crescimento da faísca de fogo divino quando a alma recebe o ser do amor de Deus, que é a carne e o sangue de Cristo.
  • Transformação da faísca em grande fogo e luz que brilha enviando virtudes e boas obras.
  • Vivência em grande paciência sob a vaidade deste mundo.
  • Crescimento do indivíduo como uma bela flor que brota da terra selvagem.

A interação entre a terra e o sol ilustra o processo espiritual humano, no qual o campo da alma reage ao raio divino absorvendo sua virtude para fazer brotar um corpo espiritual dotado de frutos doces.

  • Metáfora da falta de crescimento de frutos na terra caso o sol não brilhasse.
  • Penetração do sol no ser da terra e recebimento de sua virtude poderosa.
  • Surgimento de uma grande fome na terra pela virtude solar.
  • Impressão e nutrição do ser da terra na virtude do sol devido à fome.
  • Crescimento de uma erva com caule extraída pelo anseio da terra em direção ao sol.
  • Ascensão do ser e da virtude do sol ao longo do crescimento e florescimento da erva.
  • Tornada substancial do sol com seus raios no ser da terra, no caule e na raiz.
  • Surgimento de um corpo diferente na haste em relação à raiz na terra pelo poder do sol, das estrelas e do espírito do mundo.
  • Produção de um broto que se torna flor e posteriormente fruto.
  • Amadurecimento e adoçamento progressivo do fruto pelo sol.

O fundamento da alma constitui o campo divino que, ao receber o sol espiritual, desenvolve uma nova planta celestial que precisa ser nutrida de cima até atingir a forma angelical.

  • Definição do fundamento da alma como o campo divino.
  • Broto de uma planta divina quando a alma recebe a luz do sol divino.
  • Identificação desse processo com o novo nascimento mencionado por Cristo.
  • Necessidade de nutrição da planta a partir do alto pela influência celestial.
  • Crescimento estimulado pelo sol divino, pela água divina e pela constelação divina que é a potência de Deus.
  • Desenvolvimento até a constituição de um corpo divino de figura angelical, semelhante ao corpo na haste.

Assim como os vegetais enfrentam as intempéries do clima, o cristão deve resistir ao ambiente hostil do mundo e da ira, depositando sua confiança exclusivamente no sol divino para atingir a maturidade espiritual.

  • Necessidade de o corpo na haste resistir à chuva, ventos, tempestades, calor e frio para ser amadurecido pelo sol.
  • Obrigação de o cristão permanecer neste mundo espinhoso, na ira despertada de Deus, no reino do diabo e entre homens ímpios.
  • Suporte ao açoite do desprezo e do desprezo mundanos.
  • Direcionamento da esperança e confiança para longe das criaturas, focando apenas no sol divino.
  • Amadurecimento e geração do indivíduo como fruto celestial pelo sol divino.

O novo nascimento e as boas obras não são gerados por templos de pedra ou rituais baseados em palavras vazias, mas pela ação do sol divino no íntimo do indivíduo unido à videira de Cristo.

  • Negação de que templos, casas de pedra, ordenanças humanas ou formas de adoração labial gerem a novidade de vida.
  • Geração do homem pelo sol divino na constelação divina dos poderes da Palavra de Deus no templo interno de Jesus Cristo.
  • Origem da geração na fonte de vida que é Jesus Cristo.
  • Condição do homem como ramo na videira de Cristo, produzindo uvas boas.
  • Amadurecimento das uvas pelo sol divino para a alimentação dos companheiros e membros amorosos.
  • Crescimento e florescimento dos membros na convivência cristã através de boas doutrinas, vida e obras.

A compreensão da vida cristã manifesta-se unicamente na prática efetiva e na produção de frutos divinos que conformam a vontade do homem à de Deus, tornando inúteis as confissões de fé puramente teóricas.

  • Exigência de alcançar a prática, o desempenho eficaz e a frutificação no cristianismo para manifestar o novo nascimento.
  • Ineficácia de lisonjas, consolações com promessas, evidências das escrituras ou jactância de fé se não houver mudança essencial.
  • Necessidade de a fé tornar o indivíduo um filho conforme a essência e a vontade de Deus, produzindo frutos divinos.

As disputas, guerras e contendas doutrinárias que destroem as nações representam apenas cascas vazias sem fruto pertencentes ao julgamento do mundo ígneo, motivadas pelo orgulho carnal e pela ausência do verdadeiro espírito cristão.

  • Caracterização das lutas, disputas e guerras humanas que assolam países e povos como mera casca sem fruto.
  • Definição dessas contendas como formas sem poder, riquezas sem misericórdia cristã destinadas à separação no mundo ígneo e ao julgamento do Lorde.
  • Ausência de entendimento verdadeiro em todas as facções em disputa.
  • Foco das contendas no nome e na vontade de Deus, sem que nenhuma parte os pratique.
  • Busca exclusiva pela própria glória, prefeccão e prazeres da carne.
  • Afirmação de que se fossem cristãos verdadeiros não haveria contendas ou disputas entre eles.

Uma árvore boa distribui seus frutos a todos os seres e persiste em sua produção independentemente das agressões climáticas ou da destruição provocada pelo ambiente exterior.

  • Produção de bons frutos por uma árvore boa para todos os indivíduos.
  • Resistência da árvore mesmo quando o vento quebra seus ramos e frutos ou o sol os seca.
  • Continuação do esforço para produzir mais frutos bons mesmo quando estes são devorados por porcos ou pisoteados após a madureza.

O cristão reproduz a vontade de Cristo em seu íntimo e faz com que o dia divino dissipe a noite escura da ira e do pecado carnal, mantendo a nova planta viva após as perseguições do mundo e do diabo.

  • Impossibilidade de o cristão verdadeiro querer algo diferente do que Cristo quer nele.
  • Destruição e pisoteamento frequentes dos bons frutos do homem interno pela carne pecaminosa, pelo vento do diabo e pela maldade mundana.
  • Permanência e broto irresistível da árvore da nova planta na vida de Cristo através do homem mortal externo.
  • Comparação do broto espiritual à eternidade que penetra o tempo dando-lhe vida e ao dia que rompe a noite mudando-a em dia.
  • Ocultamento da noite no interior do dia sem ser percebida.
  • Broto do dia divino no homem através da noite eterna transformando a ira, o inferno, a morte, a angústia e a destruição em alegria e consolação.
  • Resistência da noite escura com a essência da serpente e o veneno na carne contra o dia divino.

A busca pelo crescimento espiritual deve sobrepujar as discussões inúteis e as ficções conjeturais de santidade artificial que levam os indivíduos a condenarem uns aos outros por questões de opinião.

  • Necessidade de buscar o crescimento e o aumento do coral precioso em vez de seguir tagarelices inúteis.
  • Rejeição de ficções conjeturais de santidade fingida onde indivíduos se desprezam, censuram, rejeitam e proclamam os outros como heréticos.
  • Condenação da atitude de entregar o semelhante ao diabo por causa de opiniões criadas por si mesmo.

O estímulo a disputas intelectuais e condução a opiniões dogmáticas constituem estratagemas diabólicos para desviar a humanidade do amor, da fé e do verdadeiro novo nascimento em favor de formalismos vazios.

  • Declaração sobre o caráter enganoso do diabo em introduzir opiniões para gerar desprezo e censura mútuos.
  • Crítica à rotulação de heréticos e fantásticos direcionada a quem não prende a consciência ao ídolo mental ou opinião de um grupo.
  • Luta focada na casca exterior resultando na perda do amor, da fé e no impedimento do novo nascimento.

A verdadeira religião assemelha-se à simplicidade infantil que abdica do saber arrogante e da vontade própria para trilhar o caminho de retorno à pátria original perdida na queda de Adão.

  • Definição da religião como uma obra infantil baseada na renúncia total ao próprio saber, querer, correr, disputar e às conclusões da razão hipócrita.
  • Resolução sincera para entrar e perseverar no caminho que reconduz à pátria nativa perdida.
  • Saída de Adão do paraíso para ingressar no espírito deste mundo transitório com sua mente e vontade.
  • Retorno à mãe que gerou a humanidade na origem tirando-a de si mesma.

O retorno à mãe original exige a renúncia ao orgulho e o reconhecimento da condição de filho pródigo que dissipou sua herança espiritual nos deleites mundanos, demandando autoexame diante da Lei e do Evangelho.

  • Impedimento de aproximação por meio da vontade própria, do orgulho, da ostentação, do autoelogio ou do desprezo pelos semelhantes.
  • Reconhecimento da condição de filho perdido transformado em guardador de porcos que gastou os bens com os suínos do diabo e do mundo.
  • Necessidade de entrar em si mesmo e avaliar a casa do Pai.
  • Uso do espelho da Lei e do Evangelho para enxergar o afastamento da justiça de Deus e do amor fraternal.
  • Obrigação de amar todos os irmãos, inclusive os inimigos, examinando as inclinações do coração.

O autoexame revela a presença de inúmeras inclinações bestiais no íntimo humano instaladas no lugar de Deus, as quais remontam ao monstro da serpente manifestado na queda de Adão.

  • Descoberta de centenas de animais malignos no íntimo adorados e amados acima de Deus.
  • Percepção das feras horrorosas manifestadas em Adão pela falsa cobiça ou imaginação.
  • Entendimento do motivo do pronunciamento divino sobre a semente da mulher que quebraria a cabeça da serpente ou monstros bestiais.

O orgulho egóico manifesta-se na alma sob a figura de Lúcifer, o qual rejeita a humildade fraternal e busca estabelecer um senhorio soberbo destituído de amor divino sobre os demais membros.

  • Identificação do Lúcifer orgulhoso no desejo humano, afastado da humildade divina e fraternal.
  • Desprezo exercido pelo orgulho contra os membros do próprio corpo instalando-se como deus e senhor sobre eles.
  • Ausência de amor divino para amar a Deus ou ao irmão nessa condição.

A ganância assemelha-se a um suíno voraz que busca acumular recursos além de suas necessidades para inflar a soberba do eu, resultando no desligamento da árvore da vida e na esterilidade espiritual.

  • Semelhança da avareza a um porco codicioso nas propriedades humanas que tudo deseja para si.
  • Consumo e posse solitários que buscam mais do que o necessário.
  • Uso da avareza pelo Lúcifer orgulhoso para se gabar e ostentar poder sobre as outras ramificações.
  • Quebra e desligamento do Lúcifer orgulhoso em relação à árvore da vida e ao crescimento mútuo do amor.
  • Caracterização do indivíduo ganancioso como um ramo seco e murcho perante Deus.

A inveja atua como uma serpente peçonhenta que rejeita o bem alheio, calunia os semelhantes e disfarça sua falsidade sob a aparência de virtude angelical para favorecer o orgulho.

  • Presença da serpente invejosa e venenosa nas propriedades humanas atuando como peçonha.
  • Ausência de votos de bem para outrem além de si mesma.
  • Picada, fúria e condução nos corações alheios acompanhadas de calúnias por palavras.
  • Aplauso exclusivo ao próprio Lúcifer altivo, denominando a falsidade e a hipocrisia astuta de anjo de Deus.

A ira assemelha-se a um dragão fogoso encastelado no inferno que recorre à violência e à destruição quando a cobiça e a inveja não alcançam seus objetivos egoístas, tornando o ser apto apenas para o fogo.

  • Localização do dragao fogoso assentado no fogo infernal dentro das propriedades humanas, representando a ira.
  • Uso da força e da violência quando a avareza e a inveja não obtêm o pretendido.
  • Fúria extrema que rompe a vida pela malícia e iniquidade desfazendo-se em rancor ígneo.
  • Definição da ira como um ramo seco na árvore adequado somente para a queima.

As paixões egóicas desviam os bens que deveriam sustentar os semelhantes, submetendo o próximo à miséria e à opressão para satisfazer o orgulho e o entesouramento da avareza.

  • Presença de centenas de feras no desejo humano amadas pelo orgulho mais do que a Deus.
  • Atração das feras pela avareza para formar um tesouro de ostentação para o orgulho.
  • Retirada do sustento e do conforto da vida do irmão decorrente da violência e da extorsão egoístas.
  • Destinação do próximo à miséria, ao sofrimento e à perplexidade por conta dessas ações.

A compreensão dessas inclinações mundanas no espelho do eu explicita a culpa pessoal no pecado original e a penetração do veneno diabólico na ascendência humana.

  • Necessidade de o homem se reconhecer culpado ao se enxergar no espelho do egoísmo e notar as feras malignas.
  • Consideração da queda grave de Adão associada à origem de todos os maus desejos e ficções vaidosas no monstro da serpente.
  • Insinuação e influência do diabo sobre os primeiros pais na origem da humanidade.

As forças do desejo humano romperam a unidade harmoniosa original da criação devido à astúcia do diabo, gerando desejos egoístas e competitivos que buscam o senhorio sobre as demais ramificações.

  • Existência de harmonia e unidade estável em todas as propriedades dos desejos em Adão onde havia amor mútuo e acordo.
  • Surgimento de falsos desejos provocados pela inveja do diabo que instigou a falsa cobiça e imaginação em Adão e Eva.
  • Experimentação da desigualdade no espírito do mundo misturado e prova do bem e do mal, do calor e do frio, e da variedade de propriedades.
  • Atração e anseio dos desejos atuais pelo que lhes é semelhante.
  • Caracterização de cada desejo como uma fome isolada de vida que se separou da unidade harmoniosa.
  • Oposição exercida pelo desejo egoísta contra o amor, a semelhança e a sociedade dos ramos irmãos.
  • Busca avarenta por extrair a vida e o sustento alheios para se instituir senhor por meio do egoísmo.

A conduta egoísta representa uma quebra de juramento contra Deus e contraria o ordenamento natural observado nas plantas da terra, as quais crescem cooperando entre si e compartilhando o sustento na mesma mãe.

  • Contradição dos desejos egoístas face à vontade e ao fundamento divinos configurando perjúrio contra Deus.
  • Oposição ao curso e à ordem da natureza elemental.
  • Observação de árvores e plantas crescendo de forma amorosa umas junto às outras e alegrando-se na mesma mãe terra.
  • Compartilhamento de seiva e poder entre os ramos da árvore servindo-se mutuamente.

A vida humana original foi inspirada pela Palavra eterna em uma proporção equilibrada de amor e harmonia mútuos, utilizando o barro da terra como receptáculo.

  • Citação de João um sobre a inspiração da vida humana a partir da Palavra Eterna na imagem do homem.
  • Origem da imagem a partir do barro da terra.
  • Posicionamento de todas as propriedades da vida em igual proporção na harmonia e no amor mútuo.

A introdução do veneno diabólico fragmentou as propriedades vitais em apetites conflitantes, provocando doenças, mortalidade e a perda da imagem divina celestial conforme a advertência sobre a árvore do conhecimento.

  • Mistura do veneno e do falso desejo do diabo na vida humana.
  • Divisão das propriedades da vida em múltiplos desejos originando conflitos, discórdia, doenças, enfermidades, grosseria corporal e fragilidade mortal.
  • Desaparecimento da imagem de Deus proveniente da essência celestial por causa da cobiça bestial.
  • Citação da advertência divina sobre morrer no dia em que se comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, cumprida com a morte para o reino de Deus.

O apetite bestial humano constitui uma expressão da serpente vinculada ao abismo da ira e à vaidade terrena, pertencendo por direito natural ao inferno que anseia por colher tais propriedades.

  • Consideração do desejo bestial e falso como o monstro da serpente e inimizade contra Deus e o céu.
  • Condição humana de filhos do inferno e da ira divina dentro de tal desejo, sem capacidade para herdar o reino de Deus.
  • Ausência de manifestação de Deus nesse desejo habitado apenas pela ira e pela propriedade do mundo escuro e terreno.
  • Vivência limitada à vaidade deste mundo sobre o abismo do mundo escuro e da ira infernal.
  • Fome contínua do inferno por tais propriedades, colhendo-as em seu celeiro por direito de natureza.
  • Origem e enraizamento dos desejos no fundamento do inferno e da destruição.

O ingresso no reino divino exige o novo nascimento pelo Espírito Santo e pela água da vida eterna manifestada em Cristo, ressuscitando o homem original que havia falecido em Adão.

  • Citação de Cristo sobre a necessidade de o homem nascer de novo para ver o reino de Deus.
  • Destinação de todas as falsas vontades e desejos egoístas à condenação.
  • Exigência de conversão, atitude infantil e novo nascimento no Espírito Santo pela água da vida eterna para ver a Deus.
  • Manifestação da água da vida por meio da essência celestial revelada em Cristo.
  • Ressurgimento e vivificação em Cristo do primeiro homem correto que morrera em Adão a partir da essência do mundo celestial.

As inclinações bestiais devem ser mortificadas no tempo presente para que o fundamento íntimo da alma seja restaurado pelo sangue de Cristo e retorne à concordância necessária para alcançar a Divindade.

  • Condenação e necessidade de morte de todas as feras malignas no íntimo do ser humano.
  • Permanência de resquícios dos desejos aderidos na carne durante o tempo de vida.
  • Exigência de mortificação dos desejos na alma no fundamento íntimo.
  • Tintura do fundamento íntimo da alma pelo sangue de Cristo.
  • Retorno das propriedades do fundamento interno à harmonia e concordância para alcançar a Divindade no próprio ser.

A libertação das paixões carnais ocorre quando o indivíduo adota uma firme resolução de abandonar os servos do diabo e assume a postura do filho pródigo, aproximando-se do Pai com profunda humildade e arrependimento.

  • Escolha do momento presente pelo homem para se libertar dos desejos bestiais por meio de uma vontade forte e propósito firme.
  • Ódio e abandono direcionados às feras malignas reconhecidas como servas do diabo.
  • Retorno à pátria perdida ingressando na adoção e na reconciliação.
  • Autoavaliação sob a condição do guardador de porcos ou filho pródigo.
  • Aproximação da alma convertida em direção ao Pai na mais profunda humildade.
  • Reconhecimento da própria indignidade por ter gasto de forma vergonhosa a herança livre dos méritos de Cristo.
  • Entrada em processo de arrependimento.

O propósito de emenda e arrependimento deve ser sincero e imediato, condenando continuamente os apetites egoístas à morte e tratando-os como inimigos na busca pela graça de Deus.

  • Entrega do firme querer ao arrependimento e à emenda imediata sem adiamentos.
  • Rejeição à estipulação de prazos futuros como dias, semanas ou anos.
  • Condenação contínua dos desejos à destruição pela morte por meio da mente.
  • Cessação do amor aos desejos tratando-os como inimigos.
  • Resolução para se voltar à misericórdia e à graça de Deus.

A firmeza do propósito mental contra as procrastinações e tentações materiais sugeridas pelo diabo permite afogar os maus pensamentos no amor de Cristo, acolhendo o convite divino de alívio aos sobrecarregados.

  • Direcionamento do ser ao arrependimento orante em humildade suplicando pela graça divina.
  • Negação interna expressa pelo coração e sugestão de adiamento feita pelo diabo sob o pretexto de conveniência futura.
  • Insinuação carnal sobre a necessidade prévia de acumular tesouros materiais para não depender do mundo antes de mudar de vida.
  • Permanência firme e constante da mente em seu propósito de matar e afogar os pensamentos famintos no sangue do amor de Cristo.
  • Cessação do envolvimento com os desejos inimigos.
  • Caminhada rumo ao Pai antigo que enviou Seu Filho à miséria humana.
  • Citação do convite de Cristo para que os cansados e sobrecarregados de pecados venham a Ele para receber alívio.
  • Promessa de que o Pai concederá o Espírito Santo aos que Lhe pedirem.

Quando a alma direciona sua vontade sincera a Deus, o Pai a insere no processo de morte de Cristo para extirpar as inclinações abomináveis, transformando o homem em um administrador desapegado de seus bens.

  • Fixação e impressão da resolução no coração vindo com o filho pródigo ao Pai.
  • Encontro imediato promovido pelo Pai ao notar o direcionamento sincero da alma que não consegue agir por si mesma.
  • Acolhimento da alma nos braços da atração divina conduzindo-a à paixão e à morte de Cristo.
  • Morte e mortificação das feras abomináveis pelo arrependimento sincero e tristeza.
  • Ressurgimento a partir da morte de Cristo com uma nova vontade e verdadeiro desejo divino.
  • Transformação real do homem que passa a desconsiderar o que antes amava como tesouro.
  • Vivência dos bens materiais sob a condição de quem os possui e ao mesmo tempo não os possui.
  • Consideração de si mesmo em força, habilidade e posses apenas como um servo e mordomo de Deus.

O enfraquecimento das paixões carnais decorre do domínio sobre o orgulho de Lúcifer, mantendo os desejos remanescentes na carne sob controle submisso, semelhantes a animais domesticados ou acorrentados.

  • Enfraquecimento e perda do domínio de todas as feras malignas após a vitória sobre o Lúcifer do orgulho.
  • Permanência dos desejos na carne terrena durante a vida atual apenas como um asno encarregado de carregar o saco ou como um cão furioso acorrentado.
  • Quebra da força das paixões carnais.

O cativeiro do orgulho diante da ressurreição de Cristo e a perseverança no caminho espiritual conduzem a alma ao casamento místico com Sophia, gerando no céu interior a alegria celebrada pelos anjos pelo pecador arrependido.

  • Aprisionamento de Lúcifer diante da ressurreição de Cristo.
  • Obtenção de uma joia indescritível pela escrita decorrente da perseverança plena.
  • Restrição do conhecimento dessa joia aos participantes do casamento celestial onde a nobre Sophia se casa com a alma.
  • Citação da frase de Cristo sobre haver maior alegria no céu por um único pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos.
  • Preservação da alegria celestial no céu interno do homem durante o casamento místico, conforme compreendido pelos companheiros de escola.

A exposição desses ensinamentos baseia-se na intenção fraterna e na simplicidade infantil, buscando a edificação mútua na graça divina e o revigoramento espiritual compartilhado com o irmão cristão.

  • Intenção cristã e sincera de lembrar o irmão sobre as verdades espirituais tiradas do pequeno tesouro em simplicidade infantil.
  • Ausência de intenção de autoexibição no relato.
  • Desejo sincero de que as verdades sejam sentidas no coração do destinatário.
  • Recreação e revigoramento do autor com o irmão como membro ausente no corpo mas presente no desejo.
  • Cooperação nos dons divinos realizada sob o pedido do destinatário.

A disponibilidade para compartilhar conhecimentos mais profundos sobre o tempo e a eternidade fica condicionada à acolhida do propósito e à abertura dos mistérios por Deus, encerrando com a recomendação ao amor de Cristo.

  • Promessa de apresentar outras joias preciosas do tesouro onde se conhecem o tempo e a eternidade caso a boa vontade encontre espaço e Deus abra a porta do Seu mistério.
  • Prontidão e disposição para servir ao irmão nesse conhecimento.
  • Recomendação do destinatário e de seus familiares ao doce amor, graça e vontade de Jesus Cristo.
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