Deus
“Instruções Espirituais — Diálogos como Motovilov”, trad. de Helena Livramento
O espírito de Deus no Antigo Testamento
Isto não quer dizer que o Espírito de Deus tenha abandonado totalmente o mundo, mas a sua presença não era tão manifesta como o era em Adão ou como o é em nós, cristãos ortodoxos, mas permanecia exterior e os homens o sabiam. Assim, por exemplo, muitos dos segredos concernentes à futura salvação da humanidade foram revelados a Adão e a Eva após a queda. Apesar de seu crime, Caim pôde ouvir a voz divina proferindo censuras. Noé conversou com Deus. Abraão viu Deus e seu dia e com isso rejubilou. A graça do Espírito Santo se manifestava externamente em todos os profetas do Antigo Testamento e nos santos de Israel. Os judeus tinham até escolas especiais para aprenderem a discernir os sinais das aparições de Deus e dos anjos e a diferenciar as ações do Espírito Santo dos acontecimentos da vida ordinária, privada da graça. Simeão, Joaquim e Ana e outros numerosos servidores de Deus eram frequentemente gratificados por manifestações divinas. Ouviam vozes, recebiam revelações confirmadas, depois, por acontecimentos miraculosos, mas verídicos.
O espírito de Deus nos pagãos
O Espírito de Deus se manifestava além disso, ainda que com menor força, nos pagãos que não conheciam o verdadeiro Deus, mas entre os quais ele encontrava também adeptos. As virgens profetisas, por exemplo, as sibilas, conservavam sua virgindade por um Deus Desconhecido — mas um Deus, apesar de tudo — que se julgava ser o Criador do universo, o Todo-poderoso que governa o mundo. Os filósofos pagãos, errando nas trevas da ignorância de Deus, mas buscando a verdade, podiam por causa dessa busca agradável ao Criador, receber numa certa medida o Espírito Santo. Está dito: “os gentios, não tendo Lei, fazem naturalmente o que é prescrito pela Lei, eles não tendo Lei, para si mesmos são Lei” (Romanos 2:14). A tal ponto a verdade é agradável a Deus que ele mesmo proclama por seu Espírito: “da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu” (Sl 85[84],12).
Foi assim que o conhecimento de Deus se conservou entre o povo eleito, amado por Deus, e igualmente entre os pagãos que ignoravam a Deus, desde a queda de Adão e até a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
