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Verbo e Analogia

Misticismo Renano-FlamengoZUM BRUNN, Émilie; LIBERA, Alain de. Maître Eckhart: métaphysique du verbe et théologie négative. Paris: Beauchesne, 1984.

  • A ideia de metafísica confere um sentido indissociável ao fato da Encarnação.
    • O Cristo assume a natureza humana para resolver a aparente antinomia entre o nada da criatura e o ser do criador.
    • O aniquilamento do ser criaturial não deixa subsistir outra realidade senão o próprio ser divino.
    • Inexiste distinção substancial entre a alma humana e a pessoa do portador da humanidade eterna.
    • A união por graça estabelece uma identidade perfeita em que a alma e o corpo se realizam em um único Cristo.
  • O Verbo encarnado atua como o guia supremo que unifica a filosofia, a experiência e a exigência de unidade espiritual.
    • A Sabedoria divina manifesta—se como redentora e instrutora nas ordens natural, moral e divina.
    • As ações que precedem a virtude ou a forma na matéria caracterizam—se como laboriosas, pesadas e tristes.
    • As operações que sucedem a perfeição da forma revelam—se leves, fáceis, alegres, calmas e doces.
    • A introdução das formas na matéria possui equivalência direta com a geração do Filho e a aquisição das vertus.
    • A recepção do ensinamento espiritual exige a inserção do homem em uma unidade verdadeira com o Verbo.
  • A busca filosófica pela transparência racional integra—se de maneira inseparável à significação espiritual da Revelação.
    • Aristóteles fundamenta a tese de que as leis do conhecimento e as leis do ser são inteiramente idênticas.
    • O aprofundamento da racionalidade divina tem seu núcleo na teoria da introdução da forma substancial nos compostos.
    • A articulação teórica do revelado opõe o movimento sucessivo à mutação instantânea e o ser alterado ao ser gerado.
    • O esquema de inteligibilidade central baseia—se na oposição aristotélica entre alteração e geração.
    • O Estagirita fornece com frequência o quadro teórico para o desenvolvimento das formulações mais audaciosas.
  • A teoria da analogia expressa o paradoxo da criatura que possui o seu ser reduzido a um puro sinal do criador.
    • O estatuto ontológico da criatura tomada em si mesma define—se por seu completo nada intrínseco.
    • A dialética da criatura como ser—sinal guarda proximidade com a estrutura da analogia de atribuição.
    • Tomás de Aquino serve como fonte provável para o exemplo clássico da urina como sinal de saúde.
    • O mestre thuringiano assimila três modalidades de atribuição que o Aquinate distinguia no Contra os gentios.
    • J. Koch e F. Brunner investigam a estruturação e os limites da doutrina eckhartiana da analogia.
  • A verdade da analogia consiste em evidenciar que nenhum acidente ou ente possui de si mesmo o sustento para a existência.
    • Abelardo é associado histórica e textualmente ao exemplo do círculo de vinho colocado na taverna.
    • A resposta semiótica resolve o problema do estatuto da criatura diante do ser absoluto de Deus.
    • A proporção de ser na criatura equivale à ausência de vinho no círculo de palha ou de saúde na urina.
    • O conceito de ser—sinal define os caracteres de exterioridade, reenvio, diferença e imediato no laço criacional.
  • A insuficiência da metafísica da analogia exige o fundamento integrador de uma metafísica do Verbo.
    • A assimetria do existente face ao ser impede que a analogia resolva sozinha a unidade com o Criador.
    • A doutrina da mediação constitui o ser no único lugar onde Deus se oferece para a remontada da alma.
    • O retorno da criatura ao seio do Verbo preserva o sentido da criação ao inseri—la no próprio ser de Deus.
    • A consideração da criatura ocorre na interioridade do Princípio, apreendendo—a antes de sua saída para o exterior.
  • O ensinamento do Cristo revela o sentido estritamente filosófico e moral da bem—aventurança.
    • Gonsalvo da Espanha conserva em seus manuscritos as Razões de Eckhart sobre as disputas teológicas da época.
    • O voluntarismo franciscano e as teses de João de Paris sobre o ato reflexo sofreram a oposição dominicana.
    • B. Geyer e J.—P. Müller editam e analisam os documentos medievais relativos à bem—aventurança intelectual.
    • A vida bem—aventurada manifesta—se plenamente no tempo presente e dispensa a espera pelo futuro.
    • O nascimento no Verbo transforma a criatura para que ela deixe de ser um nada e assuma a condição de Filho.
  • A possibilidade de conversão ontológica fundamenta—se na total e permanente disponibilidade do Verbo.
    • F. Brunner traduz o sermão que ensina que o Pai nos revela sua divindade para sermos o mesmo Filho único.
    • O homem desapegado que sai de si passa a ter em próprio tudo o que o Filho unigênito possui.
    • O Criador opera todas as suas obras com a finalidade exclusiva de realizar a filiação humana.
    • M. Heidegger apresenta na fenomenologia da religião uma iminência baseada em um futuro indisponível.
    • Angelus Silesius sintoniza—se com a mística eckhartiana ao afirmar que o parto espiritual e o eterno são um só.
    • M. de Gandillac adverte sobre as dificuldades de unificar os moments de processão e retorno sob a eternidade.
  • A caracterização analógica da criaturabilidade atua como o motor e o ponto de partida para o reingresso em Deus.
    • O estatuto de assimetria cessa para o cristão que se volta ao Verbo, valendo apenas para quem Dele se afasta.
    • O ser exterior configura—se como um existente dividido e imperfeito que não possui a plenitude substancial.
    • O Sermão vinte e dois responde sobre a eternidade do Filho com uma dupla afirmação sim e não.
    • A alma foi eterna enquanto engendrada no seio do Pai, mas não o foi sob a perspectiva de sua saída criacional.
  • O exame das relações de dependência entre o inferior e o superior distingue as vias unívoca e analógica.
    • A causalidade unívoca ocorre quando o agente e o paciente partilham o mesmo gênero, espécie ou matéria.
    • O paciente unívoco recebe o dom por direito de natureza e coopera de modo ativo em todas as partes da ação.
    • A causalidade analógica manifesta—se quando as realidades pertencem a gêneros inteiramente diversos.
    • O influxo analógico dá—se por mera graça e impede que o objeto doado se fixe de modo definitivo no paciente.
  • Os fenômenos físicos da calefação e da iluminação do ar ilustram as diferenças operacionais das causas.
    • A calefação realiza—se de forma sucessiva, parte por parte, exigindo uma extensão temporal determinada.
    • A iluminação do meio processa—se de modo imediato e instantâneo a partir da ação do corpo luminoso.
    • O diáfano recebe a luz sem reter raízes e sem atuar como herdeiro ativo da ação de iluminar.
    • A sucessão térmica decorre da recepção do calor sob o modo estável de uma qualidade herdada.
    • O oriente e o ocidente são tocados simultaneamente pela difusão da luz por falta de fixação no meio.
  • Os conceitos de calor e luz desempenham atribuições específicas na estrutura da metafísica do Verbo.
    • O tema da luz espelha a instantaneidade da geração e do nascimento da alma no seio do Verbo.
    • O tema do calor traduz o mistério do patrimônio estável transmitido por herança na pessoa do Filho.
    • O composto que se tornou fogo age por direito hereditário em quietude e absoluto silêncio.
    • A fruição do ser perfeito opõe—se ao sofrimento do vir a ser que caracteriza o estado de imperfeição.
    • A criatura anterior ao seu livre afretamento mendiga um ser transitório que jamais possui de direito.
  • A separação face ao Verbo constitui uma ontologia da servidão onde a criatura permanece subjugada.
    • O estado de escravidão força a alma a mendigar o seu sustento ontológico junto ao Criador.
    • O cruzamento entre o ontológico e o jurídico revela que a criatura tem aquilo que não é.
    • A aplicação da física trágica serve tanto para mensurar a finitude quanto para descrever a conversão.
    • O labor e a paciência preparam a alma na ordem da criação através do conflito entre o mérito e a graça.
    • Tomás de Aquino oferece em sua terminologia a distinção entre a forma permanente e a impressão passageira.
  • O cume da especulação mística abandona a mendicidade e foca na determinação exata do instante da recompensa.
    • A luz passa a ilustrar a inserção ontológica do ser criado no criador através do regresso ao Verbo.
    • A busca metafísica abandona a demarcação da diferença para fixar a simultaneidade entre o móvel e o seu termo.
    • A transição liberta o sujeito da servidão temporal para inseri—lo no engendramento eterno.
    • O movimento contínuo da disposição qualifica o mérito da servidão, enquanto o Verbo coroa a obra como prêmio.
    • O intelecto puro e nu alcança a bem—aventurança assim como a forma põe fim ao movimento.
  • A estrutura de subordinação entre as potências da alma espelha a diferença entre o ser e o devir.
    • O intelecto e a vontade comportam—se mutuamente como a mulher livre e a mulher escrava.
    • A caridade e o querer ordenam—se ao mérito da mesma forma que a disposição prepara a substância.
    • O vocabulário do Novo Testamento ganha inteligibilidade mediante a apropriação da Física de Aristóteles.
    • A alteração atua como escrava da natureza com a única finalidade de aplainar o caminho para o parto.
    • A geração livre engendra um herdeiro legítimo segundo as promessas principais do gerador.
  • A resistência da matéria à alteração cede lugar à doçura imóvel do composto assim que o ser se realiza.
    • O paciente submete—se ao comando despótico da alteração como um escravo se curva diante do senhor.
    • O sujeito responde politicamente ao abraço da geração da mesma forma que um filho atende ao pai.
    • A nobreza humana consiste no estrito afastamento da alma face ao tumulto e à dor das coisas corporais.
    • O servo libertado passa a usufruir de bens eternos que o Filho possui diretamente junto ao Pai.
    • O sentido jurídico da Encarnação coincide com a inserção da humanidade na substância do ser eterno.
  • O devir tece a marca da finitude e carrega em si uma amargura intrínseca por se opor à doçura do ser.
    • A alteração na ordem natural é dolorosa e fustiga o paciente com o peso do tempo e do esforço.
    • A geração desliga—se do sofrimento por constituir o termo estável e o repouso absoluto do movimento.
    • O ruído e a rebeldia das forças hostis impedem a alma de escutar a Palavra que se encontra disponível.
    • O pedaço de madeira aquecido é incapaz de ouvir o incêndio que já habita o seu interior de modo virtual.
  • O término do processo de alteração conduz a disposição ao patamar superior de necessitação.
    • O grau supremo da disposição passa a integrar o mesmo gênero da forma que está prestes a nascer.
    • A fervura da água em seu último limite cronológico deixa de pertencer à umidade e assume a natureza do fogo.
    • O instante de ruptura configura—se como um fechamento pleno onde a filiação divina opera de modo direto.
    • O agir por amor à virtude introduz o sujeito na alegria do acabamento e afasta o medo do revés.
    • O amor desprovido de temor reside em plena segurança natural sob a permanência da forma substancial.
  • Toda a geração natural e espiritual comporta uma estrutura de caráter e sentido trinitário.
    • A emanação das Pessoas divinas atua como a causa prévia e o modelo exemplar para a criação do universo.
    • O processo reprodutivo abarca a unidade entre um engendrante, um engendrado e o amor que os une.
    • O sinal visível do hábito gerado manifesta—se através da pura decolagem e satisfação na obra.
    • A ausência do Filho no tempo da alteração priva o movimento da presença do afeto e da quietude.
    • Angelus Silesius adverte que a audição da Palavra impõe a purificação de toda a agitação interna.
  • A recepção da forma interrompe o trâmite do móvel e instala a paz que transfigura o convertido.
    • A natureza funciona como uma grande parábola mística voltada a desenhar o retorno ao Verbo.
    • O parto do ser gera uma totalidade homogênea e isenta de acidentes ou de forças contrárias.
    • A geração situa—se fora deste mundo por se subtrair ao tempo que ela mesma encerra.
    • A alteração eckhartiana destrói progressivamente a alteridade até o encontro perfeito com a Imagem do Pai.
    • O agente expulsa o elemento dissemelhante porque busca encontrar a si mesmo no reflexo do gerado.
  • O extermínio da particularidade e do apego ao isto e àquilo liberta o espírito do discípulo convertendo—o.
    • As criaturas perseguem a divindade de modo inato para resgatar a semelhança que justifica a rapidez cósmica.
    • A busca secreta e o desejo da natureza centram—se em Deus mesmo sob o peso da dor ou da ignorância.
    • O hábito da virtude transforma a operação em deleite por eliminar os nós que travavam o princípio do agir.
    • Tomás de Aquino e a Física aristotélica confirmam que a identidade entre pai e filho faz cessar a paixão.
    • A persistência da tristeza no coração serve de prova de que o nascimento do espírito ainda não ocorreu.
  • A subordinação universal decreta que o elemento imperfeito serve ao perfeito e a parte serve ao todo.
    • O indivíduo que recusa o serviço divino reduz a sua própria consistência ao plano do puro nada.
    • O universo define—se essencialmente como o trâmite e a conversão de todas as coisas em direção a Deus.
    • A causa e o efeito analógicos guardam a mesma realidade profunda, diferenciando—se apenas pelo modo.
    • Agostinho interpreta as criaturas como acenos divinos que ordenam o amor ao Autor do mundo.
    • A criação no princípio desliga o paciente da cronologia e realiza a sua saída interior rumo ao Verbo.
  • O Verbo identifica—se com o começo puro e com o próprio Princípio eterno onde a vida se gera sem fim.
    • A emanação mística não desliza para o pretérito nem se corrompe no império do não—ser.
    • Tomás de Aquino introduz a lógica da mutação instantânea para explicar a simultaneidade entre o fazer e o feito.
    • Alberto o Grande contesta a tese da simultaneidade em sua leitura dos textos físicos da tradição escolástica.
    • O amor desliga—se do sofrimento por constituir o termo das paixões, assim como o ponto encerra a linha.
    • O Filho procede do Pai sob a marca do intelecto, enquanto o Espírito Santo emana sob o selo do amor.
  • O mestre dominicano encontra—se firmemente ancorado na cultura e na investigação científica de sua época.
    • O trâmite da alteração mantém o pai e o filho ausentes até que a servidão seja de todo extirpada.
    • A consumação do câmbio realiza o sentido último do movimento e traz a plenitude dos tempos.
    • O temor escravo desaparece com a chegada da afeição que passa a guiar o destino do gerado.
    • A separação artificial entre a filosofia e a mística esvazia o verdadeiro projeto teológico do Thuringien.
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