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gnosticismo:puech:gnose:logion-97

PUECH LOGION 97

Logion 97 — Henri-Charles Puech

  • Oposição entre “cheio” (meh) e “vazio” (soueit), de acordo com o vocabulário de Valentim.
  • Uso de “cheio” no Logion 61 não é significativo
  • Uso de “vazio” no Logion 28 de modo exemplar e decisivo
  • Nesta parábola do Logion 97, que se pode encontrar paralelos nos fragmentos de Heracleon e no “Evangelho da Verdade”, ilustra-se a oposição entre o “cheio” e o “vazio”.
  • Da mulher que anda “em um caminho distante”, portadora de um “vaso cheio de farinha” cuja alça se quebrou e que ao chegar ao final de sua caminhada, ela encontrará “vazio”; é dito expressamente que ela “não se apercebeu” do que lhe acontecia, que ela “não soube, não conheceu o infortúnio”.
  • Esta aventura assim descrita parece simbolizar o drama da existência humana inteiramente passada na inconsciência e se afundando mais e mais na ignorância.
  • Quem vem ao mundo, está afastado do “reino”, o lugar original de seu ser, e se ao longo do caminho não é advertido e instruído pela gnosis, se afasta mais e mais.
  • Ignora que no início, devido a seu nascimento carnal, uma ruptura se produziu, que ameaça a integridade daquilo que era e possuía na origem em perfeição, em plenitude; não sente, nem se sabe já lesado e diminuído, nem mesmo em seguida, quando continuamente privado e despossuído de si mesmo; escapa a ele que escapole-se dele mesmo e espalha-se pelo caminho o conteúdo do vaso quebrado. À maneira da despreocupada mulher da parábola, não se dá conta nem do que perdeu nem da perda que sofreu e sofre; perde a sua revelia, não se apercebe que se perde e assim vai em sua perda.
  • Saberá mais tarde quando chegado ao termo de sua caminhada, de sua vida e uma vez o vaso deposto; aí então só poderá constatar sua ruína e seu “vazio”.
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