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Cizânia (3)

Antonio OrbeParábolas Evangélicas em São Irineu

Capítulo 9 — A Cizânia (Mt 13,24—30.36—43)

Parte Terceira — São Irineu

a) IV 40,2

  • Irineu de Lyon maneja a parábola da cizânia para pulverizar a antítese marcionita que cindida a justiça e a bondade em Deus.
    • O único e mesmo Deus Pai exerce a misericórdia que coroa os bons e opera o juízo que pune os rebeldes.
  • A proposta herética implicaria a existência de dois filhos divinos encarregados de capitanear economias opostas na história.
    • Se, porém, fosse um aquele que dá o descanso, o Pai, e outro o que preparou o fogo, o deus, seriam igualmente diferentes também os Filhos, um enviando para o reino do Pai, outro, porém, para o fogo eterno. Mas, porque um e o mesmo Senhor demonstrou que no juízo se separa todo o gênero humano, 'assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos', e a uns, com efeito, dirá: 'Vinde, benditos de meu Pai, recebei o reino que vos está preparado', a outros, porém: 'Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que meu Pai preparou para o diabo e seus anjos', um e o mesmo Pai se mostra manifestamente 'fazendo a paz e criando os males', preparando para uns e outros o que lhes é apto: assim como um só Juiz, enviando uns e outros para o lugar apto.
  • O Evangelho conhece um único Senhor que atua como o pastor encarregado de segregar as ovelhas dos cabritos.
    • O Deus Pai unifica em sua soberania o ato de fazer a paz para os escolhidos e criar os males para os impenitentes.
  • O fogo eterno foi disposto originalmente para o diabo e suas potências, atingindo os homens apenas por via de imitação na apostasia.
    • A parábola da cizânia corrobora a identidade do Deus que prepara o forno e do Pai que outorga o reino resplandecente.
    • Assim como na parábola da cizânia e do trigo manifestou o Senhor, dizendo: 'Assim como se recolhe a cizânia e se queima no fogo, assim será na consumação do século. Enviará o Filho do homem os seus anjos; e recolherão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade, e lançá-los-ão no forno de fogo: ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai'. Quem, pois, preparou o reino para os justos, o Pai, no qual o seu Filho assume os dignos, esse mesmo preparou também o forno de fogo, para o qual os anjos enviados pelo Filho do homem lançarão os dignos, segundo a ordem do Senhor.
  • O Filho do homem reassume os justos por prerrogativa direta e ordena que os anjos lancem os escândalos no forno de fogo.
    • O bispo de Lyon recusa a mediação de criaturas angélicas nas funções essenciais de deificação e salvação humana.
  • As duas mãos do Pai — o Filho e o Espírito Santo — executam de forma direta a plasnação e a regeneração da carne.
    • O Senhor reserva para si a missão de consumar a saúde corpórea dos justos, assimilando-os ao seu próprio corpo glorioso.

b) V 27,1

  • As linhas do livro quinto enumeram a parábola da cizânia entre os argumentos judiciais que atestam a divindade do Pai.
    • A ausência do juízo igualaria a condição de todas as criaturas e anularia o propósito da vinda histórica de Cristo.
    • Se, com efeito, o Pai não julga, ou não lhe pertence ou consente com todas estas coisas que se fazem; e se não julga, todos estarão em igualdade e serão contados no mesmo estado. Será, pois, supérfluo o advento de Cristo e contrário, no que não julga: 'Porque vim dividir o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra'. E quando dois estão na mesma cama, um há de ser tomado e o outro deixado, e duas moendo no moinho, uma será tomada e a outra deixada; e no fim, mandar aos ceifeiros recolher primeiro a cizânia e atá-la em feixes e queimá-la com fogo inextinguível, e o trigo, porém, recolher no celeiro; e às ovelhas, com efeito, chamar para o reino preparado, e os cabritos, porém, enviar para o fogo eterno, que foi preparado por seu Pai para o diabo e seus anjos.
  • O trigo representa o plasma de Deus chamado a herdar o reino que fora estruturado especificamente para a estirpe humana.
    • A cizânia encarna os filhos do maligno arremessados ao fogo eterno que fora predeterminado para o diabo e seus satélites.
  • O bispo de Lyon silencia o destino final dos anjos bons e sugere que eles permanecem no estágio inferior da hinódia celeste.
    • As potências angélicas não foram plasmadas à imagem e semelhança de Deus, carecendo do acesso à visão direta do Pai.
  • O Salvador ensinava como mestre dogmatizador ao fixar a realidade objetiva das ações boas e das más na história.
    • E se nada houvesse de mal ou, pelo contrário, de bom; mas só por opinião humana, umas coisas, com efeito, se julgassem injustas, outras, porém, justas, não teria dito dogmatizando, isto é, ensinando: 'Os justos, porém, resplandecerão como o sol no reino de seu Pai'; e os injustos e os que não praticam as obras da justiça, lançá-los-á 'no fogo eterno, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga'.
  • Os justos operam em conformidade com o decálogo natural para preservar a semelhança perfeita com o Criador em sua carne.
    • A monda escatológica desvela o segredo da introdução do pecado e desmascara os ardis empregados pelo adversário.

c) IV 40,3

  • Irineu unifica a narrativa de Mateus com o drama da tentação e da queda original descrita nos capítulos do Gênesis.
    • O Filho do homem semeou originalmente o plasma humano no campo do mundo para a conquista da imortalidade divina.
    • Pois este semeou a boa semente no seu campo. 'O campo, porém, diz, é o mundo'; 'enquanto, porém, os homens dormiam, veio o Inimigo e sobresemeou a cizânia por cima do trigo e retirou-se'. Desde então, com efeito, é este anjo apóstata e Inimigo, desde que invejou o plasma de Deus e intentou torná-lo inimigo de Deus.
  • A batalha entre o proprietário e o inimigo cumpre-se na carne e no corpo humano e não na eira abstrata do cosmos.
    • O campo identifica-se com o homem modelado a partir do barro, no qual o adversário depositou o seu próprio sêmen.
  • A boa semente constitui a substância viva do corpo encaminhada ao paraíso, ao passo que a cizânia figura o sêmen da transgressão.
    • A soberba do anjo qualificado transformou-o em apóstata no momento exato em que ele invejou a dignidade do plasma humano.
  • O diabo converteu-se em inimigo de Deus por iniciativa própria ou a semetipso, agindo com total e consciente malícia.
    • O adversário espalha a apostasia de forma oculta ou absconsa, aproveitando o sono e a negligência das criaturas.
  • O sono de Adão e Eva representa o descuido e a perda da vigilância eclesial que os unia à conversação com o Verbo.
    • A oliveira negligenciada degenera em zambujeiro, e o cuidado diligente restitui a árvore à sua fertilidade primeira.
    • Assim como a oliveira negligenciada, por algum tempo deixada ao abandono e frutificando como silvestre por si mesma, se torna zambujeiro, ou, pelo contrário, o zambujeiro, recebendo cuidado e sendo enxertado, regressa à frutificação primitiva da natureza, assim também os homens, constituídos em negligência e frutificando como silvestres as concupiscências da carne, segundo a sua causa, são constituídos infrutíferos para a justiça. Pois no que os homens dormem, insemina o inimigo a matéria da cizânia: e por isso o Senhor ordenou aos seus discípulos que vigiassem. E, pelo contrário, os que são infrutíferos para a justiça e como que envoltos nos sentidos, recebendo cuidado e como que recebendo o enxerto do Verbo de Deus, voltam à primitiva natureza do homem, àquela que foi feita segundo a imagem e semelhança de Deus.
  • O Verbo de Deus insere o seu ensinamento na carne humana para reverter a esterilidade e reconduzir o plasma à imagem original.
    • Se o primeiro Adão tivesse permanecido em vigília a exemplo de Jesus em Getsêmani, o inimigo teria falhado na sua semeadura.
  • A cizânia semeada no corpo configura a própria transgressão introduzida com fraude no seio da linhagem humana.
    • O diabo deposita as concupiscências em campo alheio para mover o homem a abortar os mandatos do Criador.
  • O indivíduo adquire a condição de filho do diabo quando acolhe estavelmente o erro e persevera voluntariamente na apostasia.
    • A negligência de Adão e Eva entregou-os ao engano, mas a sua subsequente penitência preservou-os do estatuto de cizânia.
  • O Criador separou o inimigo da conversação celeste e aplicou a misericórdia para resgatar o plasma enganado.
    • Por isso, também Deus separou da sua conversação aquele que por si mesmo semeou ocultamente a cizânia, isto é, introduziu a transgressão. Mas ao homem que negligentemente, ainda que mal, recebeu a desobediência, teve misericórdia e fez recair a inimizade, pela qual quis tornar o homem inimigo de Deus, sobre o próprio autor das inimizades, tirando, com efeito, a sua própria inimizade que havia contra o homem, e fazendo-a recair e enviando-a para a serpente.
  • A inimizade diabólica foi devolvida à própria cabeça da serpente, restituindo o ser humano à amizade original com Deus.
    • O Senhor limpou o campo arrancando a cizânia do plasma para reter exclusivamente o trigo de sua criação.
  • O vaticínio do Gênesis sobre o calcanhar ferido prefigura o duelo histórico que culminará com o triunfo de Cristo.
    • Assim como também a Escritura diz ter Deus dito à serpente: 'E porei inimizade entre ti e entre a mulher, e entre a tua semente e entre a semente da mulher; ela te esmagará a cabeça, e tu lhe espreitarás o calcanhar'. E esta inimizade o Senhor a recapitulou em si mesmo, 'feito da mulher' homem e esmagando a sua cabeça, como naquele que é anterior a este livro mostramos.
  • O trigo eclesial triunfa da cizânia na carne do Segundo Adão, invertendo a derrota que fora sofrida no paraíso histórico.
    • O Criador impediu a monda dos servos angélicos para reservar ao próprio plasma vencido a honra de esmagar o vencedor.
  • O diabo estende o seu império entre os indivíduos que, a exemplo de Caim e Judas, perseveram na rebelião sem penitência.
    • Porque a alguns anjos disse serem do diabo, para os quais o fogo eterno está preparado, e, de novo, acerca das cizânias diz: 'As cizânias são os filhos do maligno', é necessário dizer que todos os que são da apostasia atribuiu àquele que é príncipe desta transgressão. Mas ele, com efeito, não fez por natureza nem anjos nem homens. Pois o diabo não se acha ter feito nada em absoluto, visto que também ele mesmo é criatura de Deus, como os restantes anjos. Pois todas as coisas fez Deus, assim como também David diz de todas estas coisas: 'Porque ele disse, e foram feitas; ele mandou, e foram criadas'.
  • O bispo de Lyon rebate a tese valentiniana sobre a existência de uma substância má ou de homens hílicos condenados por natureza.
    • Todas as criaturas angélicas e humanas saíram boas das mãos de Deus e participam do estatuto comum de filhos de Deus.
  • A perseverança no desvio opera a inscrição dos rebeldes sob a autoridade do príncipe da transgressão.
    • Portanto, tendo todas as coisas sido feitas por Deus, e tendo o diabo se tornado causa de apostasia para si mesmo e para os restantes, justamente a Escritura chamou filhos do diabo e anjos do maligno aos que perseveram sempre na apostasia… Segundo esta razão, pois, chamou anjos do diabo e filhos do maligno aos que creem no diabo e fazem as suas coisas: os quais, com efeito, desde o princípio, todos por um e mesmo Deus foram feitos; mas quando creem e perseveram em ser sujeitos a Deus e guardam a sua doutrina, são filhos de Deus; quando, porém, se afastam e transgridem, são atribuídos ao diabo, príncipe que, para si então e para os restantes, se fez causa de apostasia.
  • Os valentinianos postulavam a consubstancialidade física entre o diabo material e os germes humanos colhidos no acervo da hylé.
    • O heresiarca operaria a introdução da cizânia no cosmos ao extrair as sementes do armazém informe para inseri-las no útero.
  • Os judeus inconvertíveis eram classificados pelos gnósticos como procedentes do pai do diabo conforme a letra de João.
    • Irineu destrói o determinismo herético ao asseverar que a filiação diabólica depende exclusivamente das opções livres do homem.
  • O diabo veio à existência pela simples palavra do Criador e converteu-se em princípio de apostasia por sua soberba interna.
    • Adão e os caídos que aceitam o resgate de Cristo terminarão recolhidos como trigo precioso nos celeiros eternos do Pai.

d) «AGER MUNDUS EST» (Mt 13,38)

  • A equiparação do campo ao mundo atua de forma autónoma na arquitetura dos tratados do bispo de Lyon.
    • O livro quarto utiliza o axioma no contexto das discussões sobre o caráter profético das Escrituras antigas.
  • Cristo constitui o tesouro escondido no campo do mundo, permanecendo oculto sob os tipos e parábolas da Antiga Lei.
    • Se alguém, pois, atentamente ler as Escrituras, encontrará nas mesmas o discurso acerca de Cristo e a prefiguração da nova vocação. Pois este é 'o tesouro escondido no campo' — porque o campo é o mundo; escondido, porém, nas Escrituras, porque por tipos e parábolas era significada. Por onde não podia isto, que é segundo o homem, ser entendido antes que viesse a consumação das coisas que foram profetizadas, a qual é o advento de Cristo.
  • Os naasenos localizavam o tesouro no interior do homem espiritual, identificando-o com o fermento pleromático da alma.
    • O manuscrito do Evangelho de Tomás exortava os discípulos a buscar o tesouro único que não sofre a corrupção do céu.
  • O apócrifo de Tomás narra a ignorância do herdeiro que vendeu o campo arado ao adversário sem notar o valor do ouro oculto.
    • O Salvador assumiu a carne e utilizou o arado da cruz para abrir o tesouro divino que se encontrava sepultado nos homens.
  • Irineu unifica as passagens de Mateus para fixar o campo das Escrituras no ambiente visível e histórico deste mundo.
    • O advento carnal de Jesus cumpre as profecias e faculta que os cristãos leiam o Antigo Testamento sem o véu do mistério.
  • A leitura efetuada pelos judeus contemporâneos assemelha-se a uma fábula vazia por ignorar a manifestação do Filho de Deus.
    • Toda a profecia, antes que tenha efeito, são enigmas e ambiguidades para os homens; quando, porém, vem o tempo e sucede o que foi profetizado, então as profecias têm clara e certa exposição. E por isso, pelos judeus, quando a Lei é lida neste tempo presente, é semelhante a uma fábula: pois não têm a exposição de todas as coisas relativa ao advento do Filho de Deus que é segundo o homem. Pelos cristãos, porém, quando é lida, é tesouro escondido no campo, pela cruz de Cristo, porém, revelado e explanado, e enriquecendo os sentidos dos homens, e mostrando a Sabedoria de Deus, e manifestando as suas disposições para com o homem…
  • A cruz de Cristo opera como a chave hermenêutica que enriquece o intelecto e desvela as economias parciais da salvação.
    • O Verbo de Deus deitaram as sementes da revelação profética em todo o campo do Antigo Testamento através das teofanias.
  • O livro quinto convoca o axioma do campo mundo para interpretar os vaticínios da bênção de Isaac sobre Jacó.
    • O milênio ou o sétimo dia santificado abrigará o cumprimento das promessas terrenas que permanecem inéditas na história.
  • Os justos ressuscitados em carne descansarão de toda a lavoura material e usufruirão da mesa que foi disposta por Deus.
    • Assim como também a bênção de Isaac contém, a qual abençoou o filho menor, Jacó. 'Eis que — dizendo — o odor do meu filho é como o odor do campo cheio que o Senhor abençoou'. 'O campo, porém, é o mundo', e por isso acrescentou: 'Deus te dê do orvalho do céu e da fertilidade da terra, abundância de trigo e de vinho. E sirvam-te os povos e adorem-te os príncipes'…
  • O campo pleno abençoado pelo Senhor representa o mundo material inteiramente purificado e livre da cizânia da vaidade.
    • A eira renovada acolherá os germes divinos sem a ingerência de espinhos ou de ervas daninhas introduzidas pelo maligno.
  • O bispo de Lyon preserva o sentido antropológico da boa semente, afastando-se das propostas intelectuais de Alexandria.
    • O Verbo inseminou as Escrituras com a sua própria presença ao dialogar historicamente com Abraão e Noé.
    • Porquanto, está inseminado por toda a parte nas Escrituras o seu Filho Deus, umas vezes falando com Abraão, outras com Noé…
  • O mestre Orígenes aduzia passagens para sustentar a perfeita identidade pessoal entre o semeador e o ceifeiro da eira.
    • Irineu preserva a distinção literal de João ao equiparar os profetas ao semeador e os apóstolos ao ceifeiro.
  • A unificação dos dois atos cumpre-se na soberania do Verbo que efetuou a sementeira em Adão e recolhe a colheita em Cristo.
    • Este, porém, é o Senhor nosso, e 'nisto é verdadeiro o dito', porque ele mesmo é quem fez o arado e trouxe a foice, isto é, a primeira sementeira do homem, que foi segundo a plasnação de Adão, e nos últimos tempos, pelo Verbo, a colheita dos frutos recolhida.
  • O Verbo manejou o arado de madeira e ferro da cruz para limpar a eira e colher a humanidade que fora plantada no princípio.
    • Porque, sendo um Abraão, em si mesmo prefigurava os dois testamentos, nos quais uns, com efeito, semearam, outros, porém, ceifaram: 'Porque nisto — diz — é verdadeiro o dito, porque um, com efeito, é o que semeia, o povo, e outro o que ceifa', um só Deus, porém, concedendo a uns e outros o que lhes é apto, a semente, com efeito, ao que semeia, o pão, porém, para comer ao que ceifa, assim como um é o que planta e outro o que rega, um só, porém, o que dá o crescimento, Deus.
  • A harmonia das duas dispensações repousa na unidade do Deus único que outorga a semente ao semeador e o pão ao ceifeiro.
    • O bispo de Lyon encerra a sua síntese condenando por antecipação o modelo origeniano que conferia aos anjos a sementeira das almas.

A modo de conclusão

  • O cenário hermenêutico do século segundo caracteriza-se pelo cruzamento de múltiplas interferências entre os símbolos das sementes.
    • A oposição entre o trigo e a cizânia converteu-se em um lugar comum para designar o drama do bem e do mal.
  • O quarto livro de Esdras localiza a semente do delito no coração de Adão, e Hermas prefere fustigar as iniquidades sob a imagem das ervas.
    • Inácio de Antioquia restringe a erva do diabo ao ambiente das heresias, consolidando a equação entre semente e doutrina.
  • Justino Mártir funde a boa semente com as exigências éticas do sermão da montanha, e a Epístola dos Apóstolos foca na queima da palha.
    • Taciano projeta a pequenez da cizânia sobre a proliferação das paixões que o crente deve combater por meio da nudez evangélica.
  • As heresias de Nag Hammadi desenham a trajetória cega dos maus, e os Atos de Tomás isolam a Igreja sob o título de verdadeira terra.
    • Os sistemas pseudo-clementinos utilizam o texto para certificar que o diabo opera como o semeador real do mal no mundo.
  • A escola de Heracleon esvazia o colorido moral da cizânia para fixar-se exclusivamente na colheita das almas pneumáticas.
    • O Antigo Testamento executa a sementeira arcontíca, e o Salvador derrama a gnose para recolher os eleitos nos celeiros do Pleroma.
  • Os Excerpta ex Theodoto interpretam o trigo como o homem psíquico envolvido em simbiose com a cizânia do homem material.
    • A colheita operará a separação das três substâncias imanentes ao cosmos sensível.
  • Tertuliano oscila entre a interpretação doctrinal das heresias e a leitura antropológica do homem corrompido no Éden por Práxeas.
    • O diabo atua de noite na condição de falsificador para violar a pureza da segetis frumentariae instituída pelo Criador.
  • Cipriano de Cartago consolida no Ocidente a tese que localiza a coexistência de bons e maus no seio da própria estrutura eclesial.
    • Novaciano errava ao usurpar a pá de joeirar de Cristo para tentar efetuar a monda antecipada da eira antes do dia do Senhor.
  • Os eclesiásticos alexandrinos utilizam o versículo quarenta e três para modelar a glória física que revestirá os corpos ressuscitados.
    • Pânteno e as Éclogas proféticas definem a transfiguração do Tabor como a medida exata do resplendor dos justos.
  • Clemente equipara a cizânia aos falsos profetas e localiza o campo do inimigo na interioridade da psique do pecador.
    • Orígenes define as setas da concupiscência como a semente do adversário e projeta os anjos no papel de camponeses da alma.
  • A eclesiologia de Irineu de Lyon resgata a integridade da parábola para defender a unidade entre o Deus Criador e o Pai.
    • O campo de sementeira é a própria carne do homem plasmada pelo Filho e pelo Espírito Santo desde o princípio do mundo.
  • O diabo introduziu a transgressão por inveja do plasma, surpreendendo os primeiros pais em um sono de culpável negligência.
    • O Criador barrou a monda angélica para facultar que o homem vencesse o adversário na mesma carne em que fora vencido.
  • A cizânia escatológica do juízo final abrange os discípulos espontâneos do diabo que renunciaram à conversação e à penitência eclesial.
    • O Verbo unifica os Testamentos em sua própria pessoa ao atuar como o semeador em Adão e o ceifeiro na cruz do Calvário.
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