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CRISTOLOGIA GNOSTICA

Antonio Orbe

Os elementos de cristologia são quantitativamente poucos, muitas vezes fragmentários, e se perdem em uma prosa sibilina, da qual com esforço se tira alguma luz. Se todas as famílias gnósticas tivessem adotado o mesmo esquema, iguais premissas e desenvolvimento, teriam atraído seu estudo, até hoje em dia quase inexistente. Mas, segundo Orbe, passa-se o contrário: em uma mesma família gnóstica há tantas variantes, tão heterogênicas implicações, exegeses autônomas, que se requer uma infinita paciência para uma análise construtiva.

Do mesmo modo esta argumentação vale para o estudo da Sofiologia, de análogo interesse para o conhecimento das Seitas. A polivalência de sophia é tão sugestiva como desesperante.

Segundo Orbe, os autores cristãos do século II não separavam cristologia de soteriologia, e por esta razão sua obra abarca os dois, de modo extremamente analítico, considerando assim nesta combinação:

a) Na pessoa do Filho de Deus tudo se orienta para a saúde (salvação do homem); sua própria concepção e geração pelo Pai visa a salvação humana.
b) Interessa analisar as perfeições pessoais divinas do Filho, antes mesmo que as humanas, para entender sua missão salvífica no mundo.
c) A igualdade Cristo = Soter rebate os parâmetros habituais nos autores clássicos que discorrem sobre a igualdade Cristo (= Verbo humanado) = Soter.
d) Com maior energia que entre os eclesiásticos, o salvífico chega entre os sectários até as fronteiras da Trindade e da Sofiologia.


  • Ao leitor
  • A modo de introdução

Capítulo 1.— O Cristo pré-existente

  • 1. Formulações
    • a) Naassenos, peratas e setianos de Hipólito; ofitas de São Irineu
    • b) «Pistis Sophia» e os Livros de Jehú
    • c) Basilides
    • d) Simonianos
    • e) «Apocryphon Iohannis»
    • f) Valentinianos
  • 2. À maneira de síntese

Capítulo 2.— Cristo em profecia

  • 1. Atitudes fundamentais
    • a) Eclesiásticos
    • b) Marcion e Apeles
    • c) Gnósticos
  • 2. Exegese de Jo 10,8
  • 3. Inspiração dos profetas
  • 4. Aplicações particulares
  • 5. Considerações finais

Capítulo 3.— Só o filho pode salvar o homem

  • 1. Em torno a Is 63,9 (LXX)
  • 2. O Espírito Santo e a obra salvífica
  • 3. Premissas gnósticas
  • 4. Tese valentiniana
  • 5. Visão global

Capítulo 4.— O Grande lutador

  • 1. Cenário agonístico
    • a) Eclesiásticos
    • b) Gnósticos
  • 2. O «grande combate» na filosofia pagã
  • 3. Isaías 7,13
  • 4. Senhorio e não ministério de morte
  • 5. Conclusão

Capítulo 5.— O Reformador

  • 1. Vocabulário
  • 2. Expoentes da reforma
    • a) Marcion e Apeles
    • b) Fatos apócrifos
    • c) Plotino
    • d) Gnósticos
  • 3. Considerações finais

Capítulo 6.— O triunfo sobre o destino

  • 1. O destino: análise de ET 69-73
  • 2. Vitória do Bom Pastor
  • 3. Regime de Providência
  • 4. A hora de Jesus
  • 5. Notícias complementares
  • 6. Conclusão

Capítulo 7.—Viagem ao mundo

  • 1. Pude baixar o Pai?
  • 2. Descida por assunção de formas
  • 3. Hermes ou Logos
  • 4. Sentido da clandestinidade
  • 5. O incógnito por semelhança
  • 6. Reflexões finais

Capítulo 8.— Componentes de Cristo e saúde do mundo: O gemido da criação (Rom 8,19ss)

  • 1. Três vindas?
  • 2. Três Cristos
  • 3. Três filiações
  • 4. O mundo
  • 5. A salvação
  • 6. O gemido da criação
  • 7. Conclusão

Capítulo 9.— Alguns fins da vinda de Cristo

  • 1. Discernimento
  • 2. Magistério
  • 3. Congregar o disperso
  • 4. Atração
  • 5. Contra o pecado de Adão?
  • 6. Debelar a morte
  • 7. Filiação divina do homem
  • 8. Conclusão

Capítulo 10. Em torno à encarnação

  • 1. Exegese de Jo 1,14a
  • 2. Exegese de Lc 1,35
    • a) Escola itálica
    • b) Escola oriental
  • 3. Auto-encarnação
  • 4. A modo de síntese

Capítulo 11.— Ebionitas

  • Seita A: Jesus nascido de José
  • Seita B: Jesus nascido de Maria Virgem. À margem do ebionismo
  • 1. O Verus propheta
  • 2. Gnósticos ebionizantes
    • a) Cerinto
    • b) Carpocrates
    • c) Evangelho segundo Felipe § 91
    • d) Justino gnóstico
  • 3. Conclusão

Capítulo 12.— O docetismo gnóstico

  • 1. O aparente e o real
  • 2. Falso docetismo
  • 3. A verdadeira carne
  • 4. Cassiano e o docetismo
  • 5. Falsa ilação
  • 6. Conclusão

Capítulo 13.— Nascido de Maria

  • Hermógenes: «ex Virgine et Spiritu»
  • Naassenos, peratas e setianos
  • Justino gnóstico
  • Docetas de Hipólito
  • Ofitas de São Irineu e «Pistis Sophia»
  • Basilidianos
  • «Per Mariam»
  • O Evangelho segundo Felipe
  • Compêndio da doutrina valentiniana. Considerações finais

Capítulo 14.— Infância e juventude do Salvador

  • 1. Nascimento
  • 2. Circuncisão
  • 3. Apresentação de Jesus
  • 4. Desterro e volta do Egito
  • 5. Jesus em Nazaré
    • a) Aos sete anos
    • b) Na escola
    • c) No templo
    • d) Pastor de doze anos, e com José na vinha
  • 6. O incremento de Jesus
  • 7. Conclusão

Capítulo 15.— Harmonia entre os mistérios

  • 1. Judeus e ebionitas
  • 2. Marcion
  • 3. Gnósticos

Capítulo 16.— Batismo de Jesus

  • 1. Batismo de João
  • 2. Lugar e tempo do batismo de Jesus
  • 3. Reconstituição da cena
    • a) Batismo ou batismos?
    • b) O fogo e o Jordão
    • c) O resplendor do Jordão
    • d) O aroma
    • e) A pomba
  • 4. Conclusão

Capítulo 17.—Eficácia do batismo de espírito

  • 1. Exegese de Basilides sobre a pomba
  • 2. Doutrina valentiniana
    • a) Os personagens do Jordão
    • b) Sua missão e eficácia
  • 3. Paradigma celeste do Jordão
  • 4. Docetas de Hipólito
  • 5. A modo de síntese: Comparação da teologia de Basilides
  • 6. Valentim e os eclesiásticos
    • a) Basilides
    • b) Valentim
    • c) Eclesiásticos

Capítulo 18.—As tentações de Jesus

  • 1. Cenário e motivo da tentação
  • 2. Os anjos e as tentações
  • 3. Conclusão

Capítulo 19.—Os milagres de Jesus

  • 1. Preliminares
  • 2. Curas e profecias
    • a) Prodígios físicos: o milagre de Canaã
    • b) As curas
    • O cego de nascimento
    • A hemorrágica
  • 3. Ressurreições evangélicas
  • 4. Cura do filho do régulo
  • 5. Os apêndices de Basilides
  • 6. A modo de conclusão

Capítulo 20.—A purificação do templo

  • Preliminares
  • 1. Parte primeira: «E Jesus subiu a Jerusalém» (Jo 2,13)
    • O santuário
  • 2. Segunda parte: «E achou no templo os vendedores» (Jo 2,14)
    • a) Os habitantes do santuário
    • b) O vestíbulo e seus moradores
    • c) Os negociantes do santuário
    • Lei de justiça e lei de graça
  • 3. Terceira parte: «E havendo feito um açoite de cordas» (Jo 2,15)
    • a) O açoite
    • b) Paradigma e eficácia do açoite
    • c) O açoite e o cabo
    • d) O zelo que consome
  • 4. Consideração final

Capítulo 21.—A transfiguração

  • 1. Preliminares
    • a) Marcion
    • b) Ebionitas
    • c) Gnósticos setianos: UW e AJ
    • d) São Irineu
  • 2. Exegese valentiniana: Testemunhos do mistério
  • 3. Aos seis dias
  • 4. A voz do céu
  • 5. O resplendor
    • a) Elemento externo
    • b) Elemento interno
  • 6. Medida do conhecimento
  • 7. Tabor e Jordão
  • 8. «Excerpta ex Theodoto»
  • 9. Conclusão

Capítulo 22.—O Cordeiro de Deus

  • Comentário de Heracleon
  • 1. Eis aí o Cordeiro de Deus
  • 2. O que tira o pecado do mundo
  • 3. O Cordeiro e a cruz
  • 4. Sacrifício e sacramento
  • 5. A modo de conclusão

Capítulo 23.—Getsemani

  • 1. O suor de sangue
    • a) O suor
    • b) Como grumos de sangue
    • c) Que baixa à terra
  • 2. A tristeza
    • a) Exegese de Mt 26,38 (Mc 14,34)
    • b) Tertuliano: «De carne Christi»
    • c) Irineu III, 22,2
    • d) Exegese valentiniana
    • e) Exegese de Orígenes
    • f) «Acta Pilati»
  • 3. «Spiritus quidem promptus est, caro autem infirma» (Mt 26,41; Mc 14,38)
  • 4. As negações de Pedro
  • 5. Conclusão

Capítulo 24.—O abandono de Jesus

  • 1. Solução mítica: Basilides e o 2. Logos de Set
    • a) Postura ereta
    • b) O sorriso
  • 2. «Acta Johannis» e «Apocalypsis Petri»
  • 3. Sístole do Espírito
  • 4. Aplicações cristológicas
  • 5. Ausência do Espírito
  • 6. Exegese de Mt 27,46
  • 7. Conclusão

Capítulo 25.—A paixão

  • a) Solução platonizante
  • b) Linha marcionita
  • 1. Basilides
  • 2. Valentinianos
  • 3. Teódoto: Paixão e compaixão
  • 4. Conclusão

Capítulo 26.—A cruz

  • 1. Figuras da cruz no AT
  • 2. Alguns testemunhos do NT sobre a cruz
  • 3. Horos e Staurós
  • 4. A cruz de costas
  • 5. As sete palavras
  • 6. Eficácia da cruz
    • a) Eficácia purgativa
    • b) Eficácia confirmante
  • 7. Conclusão

Capítulo 27.—Efusão de sangue

  • 1. Sangue da Virgem celeste
  • 2. Simbolismo do sangue
  • 3. Preço do resgate
  • 4. A modo de conclusão

Capítulo 28.—O Sumo Sacerdote

  • A pessoa do Sumo Sacerdote
  • Até o sacerdócio de Cristo homem
  • Vestimenta sacerdotal
  • Ministério sacerdotal de Jesus
  • Se rasga o véu do santuário
  • Sacerdote dos anjos
  • Sacerdócio do Cristo animal
  • A mediação do demiurgo
  • Mediação do Espírito Santo em Basilides.
  • Conclusão

Capítulo 29. — A morte

  • 1. Eficácia contra o Thanatos
  • 2. Executores da morte
    • a) O diabo
    • b) O demiurgo ou seus arcontes
  • 3. Morte e engano
    • a) A morte devoradora
    • b) A fraude
  • 4. Conclusão

Capítulo 30. — Redenção

  • 1. As almas são redimíveis
  • 2. Os espíritos, redimidos «pleno jure»
  • 3. A redenção e a cruz
  • 4. Valentinianos
  • 5. Aplicações várias
    • a) O Redentor do Pleroma
    • b) Redenção de Jesus e de seus anjos
    • c) Redenção de Jesus homem
  • 6. A modo de síntese e complemento

Capítulo 31. — Entre a morte e a ressurreição

  • 1. «Ao terceiro dia»
  • 2. Os componentes de Jesus e seu paradeiro
  • 3. Situação dos infernos
  • 4. Jesus libera aos cativos
  • 5. Conclusão

Capítulo 32. — Ressurreição e vida gloriosa

  • 1. Ressuscita por obra do Pai
  • 2. O Espírito ressuscita a Jesus
  • 3. Jesus ressuscita por sua própria virtude
  • 4. O corpo redivivo
    • a) Exegese de 2 Cor 5,3
    • b) «Corpus reale, non mundiales»
  • 5. Vida gloriosa
  • 6. Duração da vida gloriosa
  • 7. Conclusão

Capítulo 33.—A ascensão

  • 1. Preliminares
  • 2. Jesus se dissocia
  • 3. «Sede a dextris meis» (Ps 109,1)
    • a) Direita e esquerda
    • b) «A dextris»
  • 4. Ps 109,1 e a ascensão
    • a) A ferida do costado
    • b) Exegese de ET 37-38
  • 5. Conclusão

Capítulo 34. — Ascensão e reincorporações

  • 1. Carpocrates
  • 2. Basilides
  • 3. Docetas de Hipólito
  • 4. Ofitas de Irineu
  • 5. Conclusão

Capítulo 35.—A porta do céu

  • 1. A terceira porta
  • 2. As duas portas descendente e ascendente
  • 3. A porta de Jesus
  • 4. Conclusão

Conclusão geral

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