PRECE DO APÓSTOLO PAULO
Biblioteca de Nag Hammadi: The Prayer of the Apostle Paul; Prière de l’apôtre Paul
Dieter Mueller
Esta prece ocupa a primeira página do Códice I, chamado Códice Jung. A prece parece ter sido aditada à coleção de tratados no códice após a cópia do Tratado Tripartite. A língua grega no título indica sua origem grega. Afinidades gnósticas claras, como referência a um “Deus psíquico”, apontam para conexões valentinianas, provavelmente do século III.
(faltam duas linhas) (vossa) luz, dê-me vossa (misericórdia! Meu) Redentor, redima-me, pois (eu sou) vosso; aquele que de vós veio. Vós sois (minha) mente: eleve-me! Vós sois minha casa do tesouro; abra-vos para mim! Vós (sois) minha completude; leve-me a vós! Vós sois (meu) repouso; dê-me (a) coisa perfeita que não pode ser apreendida!
Eu vos invoco, aquele que é e que pré-existiu no nome (que é) exaltado acima de todo nome, através de Jesus Cristo, (o Senhor) dos Senhores, o Rei dos eones; dê-me vossos dons, dos quais não vos arrependeis, através do Filho do Homem, e Espírito, o Paracleto de (verdade). Dê-me Autoridade (quando eu) vos peço; dê cura para meu corpo quando vos peço através do Evangelista, (e) redima minha eterna alma de luz e meu espírito. E o Primogênito do Pleroma de graça — revele-o para minha mente!
Doe o que nenhum olho de anjo tenha (visto) e nenhum ouvido de arconte (tenha) entendido e o que não tenha entrado no coração humano que veio para ser angélico e (modelado) segundo a imagem do Deus psíquico quando foi formado no princípio, desde que eu tenha fé e esperança. E disponha em mim seu bem-amado, eleito, e abençoada grandeza, o Primogênito, o Primeiro-criado, e o mistério (maravilhosos) de nossa morada; (pois) vosso é o poder (e) a glória e o louvor e a grandeza para sempre e sempre. (Amém).
Prece de Apóstolo São Paulo (o) Apóstolo.
Em Paz.
Cristo é santo.
Kuntzmann & Dubois
Notas de R. Kuntzmann e J.-D. Dubois
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O Objetivo da prece é o de “ser em Cristo”.
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Outro eco da prece dos gnósticos encontra-se no Livro de Tomé.
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Esta oração aponta para a identificação do fiel com Deus por um retorno à origem.
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Parece emergir na oração a figura complexa de Cristo segundo a escola valentiniana, que admitiam três Cristos:
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Aquele que o nous e a Verdade geraram com o Espírito Santo;
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O esposo da Sabedoria sophia) exterior, também chamado Espírito Santo;
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O homem psíquico, gerado por Maria para estabelecer a ordem na criação terrena.
Marvin Meyer
A Oração do Mensageiro Apóstolo São Paulo é uma oração encantadora, com traços valentinianos evidentes. Para os valentinianos, Apóstolo São Paulo era um mensageiro especial, e eles sustentavam que Apóstolo São Paulo era o mestre de Teudas e Teudas o mestre de Valentinos. A oração começa com uma meditação sobre a intimidade com Deus, que é a mente, o tesouro, a plenitude e o descanso para quem ora: “Meu redentor, redime-me, eu sou teu. Eu vim de ti.” A oração então pede autoridade, para que o corpo seja curado, a alma redimida e à mente concedida “a plenitude da graça”. Por fim, a oração pede iluminação em palavras que remetem ao Evangelho de Tomé 17 e 1 Coríntios 2:6, e encerra-se com uma doxologia e um amém final. A referência na última seção da oração ao “deus animado”, bem como aos “olhos dos anjos” e aos “ouvidos dos governantes”, é reminiscente de textos valentinianos e outros textos gnósticos.
A Oração do Mensageiro Apóstolo São Paulo é também o primeiro texto do Códice I de Nag Hammadi, que pode muito bem ser um livro valentiniano. Foi copiada na folha de rosto do códice, provavelmente depois que o escriba copiou o restante dos textos desse códice. A oração foi composta em grego, mas não se sabe exatamente quando, onde e por quem. É atribuída a Apóstolo São Paulo, pseudonimamente, no título ao final do texto.
