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A DIGNIDADE DO CRISTIANISMO — A INDIGNIDADE DOS CRISTÃOS VI

Comete-se um erro ao acreditar que é fácil viver de acordo com os ensinamentos de Cristo e ao condenar sua doutrina porque os cristãos não os põem em prática. Todavia, comete-se outro erro ao supor que não é necessário realizar o cristianismo em toda a plenitude da vida. O cristão deve aspirar, em cada momento de sua existência, a uma perfeição semelhante à do Pai Celestial; deve esforçar-se por alcançar o Reino divino. Toda a sua vida está colocada sob esta divisa: Buscai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Não é possível deter o esforço em direção à perfeição nem paralisar o desejo da justiça divina e do Reino divino, partindo do princípio de que a natureza humana é pecadora e de que o ideal, de todo modo, é inacessível na terra. Deve-se tratar de aplicar a verdade divina sem preocupação sobre como ela se realizará na plenitude da vida. Se são muito poucos os homens que realizam a Verdade de Cristo na terra, ou se o homem se aplica a realizá-la apenas por uma hora em sua vida, nem por isso sua realização é menos devida. O verdadeiro caminho encontra-se no esforço empreendido para realizar a Verdade de Cristo e para buscar o Reino dos Céus sem acusar o próximo.

O cristianismo entra em uma época totalmente nova; doravante, é impossível viver a fé exteriormente ou limitar-se a uma devoção ritual; os crentes deverão levar mais a sério a realização do cristianismo na plenitude da vida; terão que defender a fé com sua pessoa, com sua vida, por sua fidelidade a Cristo e aos seus princípios, e pela oposição do amor frente ao ódio do mundo.

Em nossa Igreja Ortodoxa, efetua-se nestes momentos uma seleção dos melhores, dos mais sinceros, dos mais ardentes, dos mais capazes de sacrifício e dos mais fiéis a Jesus Cristo; simultaneamente, ocorre uma defecção daqueles que não eram ortodoxos senão por costume, daqueles que o eram exteriormente, sem compreender o sentido da fé nem entender a que tal fé os obrigava. Poder-se-ia dizer que está terminando a época da confusão entre o cristianismo e o paganismo e que começa uma era nova de um cristianismo purificado. O cristianismo foi desnaturalizado pelo fato de ter se convertido em uma religião de domínio, uma religião de Estado, e porque a Igreja sofreu a tentação da espada dos Césares, chegando a servir-se dela contra aqueles cuja fé não estava de acordo com a dos dominadores. E se para muitas consciências o cristianismo deixou de ser a religião da Cruz, é porque adotou o papel de perseguidor e não o de perseguido; é porque pôde ser interpretado como uma santificação dos costumes pagãos sem que se necessitasse de um esclarecimento e de uma transfiguração. Contudo, chegaram os tempos em que o cristianismo será novamente perseguido e em que se pedirá ao cristão um heroísmo maior, um amor expiatório mais profundo e uma integridade superior na confissão da fé. Chegaram os tempos em que os cristãos deixarão de ser um obstáculo no caminho do cristianismo.

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