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cr:fenelon:amor

AMOR

Elémire Zolla. I mistici dell’Occidente. 2. In: Gli Adelphi. Nuova edizione riveduta, quarto edizione ed. Milano: Adelphi edizioni, 2013.

SÓ O AMOR VERDADEIRO SABE SOFRER COMO SE DEVE

Unicamente o verdadeiro e puro amor gosta de sofrer, porque unicamente o verdadeiro e puro amor se abandona. A resistência faz sofrer; mas há nela algo que sofre com sofrer, e resiste. A resignação que não dá nada a Deus senão compassadamente e com retornos sobre si mesma, bem pode querer sofrer, porém examina-se amiúde, temendo sofrer dano. Falando com propriedade, na resignação se está como desdobrado em dois, dos quais um domina ao outro e vela para impedir que se rebele. No puro amor, que está expropiado e abandonado, a alma alimenta-se em silêncio da cruz e da união com Jesus Cristo crucificado, sem voltar sobre o sofrimento. Não há senão uma vontade única e simples, que se mostra a Deus como é, sem pensar ni ver-se. Não diz nada, não adverte nada. Que faz? Sofre. Isso é tudo?

Sim, é tudo. Não tem senão que sofrer. O amor deixa-se sentir o suficiente sem necessidade de falar e sem pensar. Faz o único que deve fazer, é dizer, não querer nada quando lhe falta a consolação. Uma vontade sacia da de Deus, ao tempo que se lhe tira tudo o demais, é o mais puro de todos os amores.

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