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Cosmos
LES IDÉES PHILOSOPHIQUES ET RELIGIEUSES DE PHILON D'ALEXANDRIE. PARIS: LIBRAIBIE ALPHONSE PICARD & FILS, 1908
1. — AS TEORIAS COSMOLÓGICAS
- A cosmologia de Filon não é sistemática, aparecendo como notas e resumos de dissertações físicas suscitadas pela exegese alegórica, nas quais o elemento predominante é o estoicismo.
- A afirmação da simpatia das partes do mundo, princípio estoico que visa explicar a existência de todas as partes por uma força interna, atravessa toda a cosmologia filoniana.
- Embora rejeite a conflagração universal estoica, Filon adota do Peripatetismo a ideia da quintessência periódica e do Timeu de Platão as descrições de conjunto e a ideia dos astros como deuses sensíveis.
- A antropologia física de Filon descreve as funções mentais a partir de um sincretismo que admite as divisões da alma propostas pelos estoicos, por Platão e por Aristóteles, sem um sistema fixo.
- A ideia importante que emerge dessa psicologia é a unidade moral e interior da alma, alcançada pela hierarquização das partes, com a subordinação do irracional à razão, em uma concepção que aponta para a psicologia religiosa e não para a física.
2. — OS CULTOS CÓSMICOS
- Filon conhece e critica os cultos naturalistas de sua época, que divinizavam o mundo ou suas partes, mas acaba por transformar o cosmos em um intermediário entre o Deus supremo e a alma humana.
- Os cultos cósmicos são vistos por Filon como a forma superior do politeísmo, inspirada pela alegoria estoica que via nos deuses populares os símbolos das partes do mundo.
- O culto dos elementos, que podia estar presente em círculos judaicos, é citado por Filon, mas sua significação principal é a de uma alegoria estoica que aproxima os elementos dos deuses populares.
- O culto astrológico (caldeísmo) é tratado com grande benevolência por Filon, que o considera como o primeiro degrau da sabedoria, uma ciência que investiga os seres celestes e cujo estudo pode conduzir a alma à filosofia.
- Embora Filon apresente objeções ao determinismo astrológico, ele admite o princípio da adivinhação pelos astros e rejeita os argumentos céticos contra a astrologia, como o das mortes simultâneas.
- A verdadeira crítica de Filon aos cultos cósmicos não é dialética, mas consiste em descrever o movimento interior da alma que, partindo do sensível (como Abraão, que era caldeu), ascende em direção ao mundo inteligível e a Deus.
- O mundo é descrito como um templo, um animal racional filósofo por natureza, um vingador dos maus e uma potência benfazeja que manifesta a graça divina através de seus elementos e leis.
- Filon absorve o cosmopolitismo estoico, fazendo do mundo a grande cidade e da lei da natureza o guia da legislação judaica, enquanto o sábio é aquele que se torna cidadão do mundo e igual em dignidade ao cosmos.
- A doutrina dos intermediários em Filon não serve para explicar a impossibilidade de Deus agir diretamente no mundo, mas sim a impossibilidade da alma humana imperfeita de alcançar a Deus diretamente, oferecendo-lhe graus intermediários de culto.
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